A Eucaristia no meu coração A minha formação cristã, não apenas pela catequese, mas também pelo testemunho da minha família e do movimento a que pertenci durante vários anos (a JOC – Juventude Operário Católica), ajudaram-me a sentir o verdadeiro valor e a importância da Eucaristia na minha vida, como pessoa e cristã comprometida.
Para mim, ir à missa nunca foi uma obrigação ou frete de ter de ir ouvir mais um sermão, mas antes uma necessidade, um espaço que constantemente precisa de ser preenchido e alimentado. Já tive a oportunidade de participar e viver muitos tipos de eucaristias, não apenas na paróquia, mas em grupos mais restritos e específicos, onde é possível uma participação e vivência diferentes, onde se valoriza a preparação e participação de todos, celebra-se a vida de forma festiva e interpelativa.
Num mundo tão inconstante, agitado, pessimista, materialista e impessoal, a Eucaristia tem cada vez mais lugar e sentido.
Sinto-me triste e interpelada pelo afastamento de muitos cristãos e sobretudo jovens; por isso todos temos a responsabilidade e alterar esta tendência.
Em termos individuais, é um tempo de paragem, de contemplação. Ouvir a palavra do Pai e reflectir sobre ela, conduz à interpelação pessoal. A oração alimenta a fé no Pai e isso leva ao sentido da responsabilidade e do compromisso para a minha própria missão.
É uma forma de sentir e renovar a vivência de um Cristo ressuscitado, que me ajuda a reconhecer a Sua presença em todas as situações do dia-a-dia; é lá que buscamos forças, orientação, para sabermos como agir enquanto cristãos.
Em termos comunitários, permite uma experiência de oração em conjunto. À semelhança de Cristo e os Apóstolos, sentimos de facto que “Ele está no meio de nós”; pelo sentido da partilha do pão e da vida, da solidariedade, “somos um só corpo”.
Mas, infelizmente, nem sempre as Eucaristias em que participo me dão o alimento que procuro e necessito. Sinto ser um enorme desafio a toda a Igreja procurar melhorar muitos aspectos, de forma a cativar e envolver mais todos os cristãos nestes espaços, sem dúvida fundamentais. E porque amo a Igreja a que pertenço, sinto não só o direito mas obrigação de apresentar alguns pontos da minha reflexão e sugestões:
– Os espaços físicos, nem sempre ajudam a criar um ambiente agradável; cria-se uma grande distância entre assembleia e celebrante.
– Melhorar o sentido de acolhimento. Criar o gosto de regressar. Existem experiências positivas, como a do celebrante que cumprimenta à chegada e no final, ou as conversas no átrio após a celebração.
– A preparação deve ser mais cuidada e feita em conjunto pelo celebrante e pela comunidade, sobretudo os jovens. Lembro-me de ter estado numa celebração em que, uma hora antes, já estava a igreja quase cheia a preparar a celebração, desde crianças, a jovens e adultos.
– Homilias preparadas em conjunto – celebrante e alguns membros da paróquia – para fazer a ligação à vida. Homilias mais participativas, que conduzam à interpelação pessoal e não para “ralhar” ou julgar, sem saber o que verdadeiramente se passa na vida das pessoas.
– Participação de todos, e não exclusivamente do celebrante com mais algumas pessoas.
– Celebrar a vida (alegrias e tristezas). Fazer a ligação da Fé/vida.
– Dar um sentido mais festivo, valorizar os espaços de silêncio.
– Procurar incentivar outro tipo de celebrações específicas com grupos mais restritos.
– Apostar na formação de agentes pastorais – catequese litúrgica, que permita explicar o sentido dos ritos e gestos nos diferentes momentos (trata-se de sabermos o que fazemos, e não fazer porque todos fazem).
– A celebração tem de chegar a todos – os que estão afastados e não participam (por exemplo pelo ofertório, ou alguma acção ou gesto); e é necessário acolher os que são pouco assíduos e procurar motivá-los em vez de os afastar com “repreensões moralistas”.
– Integrar e envolver, de forma activa, comunidades ou imigrantes; aproveitar a sua própria cultura. Enriquecemos todos: as celebrações são mais dinâmicas e ajudamos na integração destas pessoas na comunidade.
Acima de tudo, é importante que cada um saia da celebração com uma força interior renovada, que lhe permita testemunhar a sua fé e desenvolver a sua missão pessoal no mundo, e que fique com vontade de voltar. Enfim, temos de tornar este dia “O dia que dá sentido aos outros dias” (D. António Marcelino).
Cláudia Ventura
