Despertar de rotinas paralisantes

Carta Pastoral Como expressão da sua solicitude pastoral, D. António Marcelino quis ajudar-nos a viver este Ano da Eucaristia, pegando-nos pela mão e levando-nos a percorrer esse tesouro inesgotável que é a celebração da Missa.

Dispensa-se o senhor Bispo de tecer muitas considerações teológicas sobre a Eucaristia. Até porque Sua Santidade o Papa nos proporcionou, recentemente, alimento em abundância. Além disso, o documento perpectiva-se, isso sim, como um despertar de rotinas paralisantes, um projectar deste manancial inesgotável do amor de Deus no compromisso apostólico e na vida quotidiana, essen-cialmente pela preparação e pelo desenrolar da Celebração.

A Carta é uma “visita de informação e formação” aos sucessivos gestos e palavras da Celebração, para que, sabendo melhor o que fazemos e dizemos, saboreemos a riqueza da Eucaristia e, por uma presença convicta, distinta de uma simples “assistência”, todos vivamos esse acontecimento com “animação” e lhe explicitemos a beleza contagiante. É um roteiro de catequese litúrgica, chamando, por isso, também, a atenção para a diversidade de propostas que o Missal Romano contém, das quais, em muitas circunstâncias, injustificadamente as assembleias são privadas.

É um suporte didáctico pastoral valioso. A linearidade da sua linguagem, que o torna acessível a todos, redobra este valor. Oferece múltiplas possibilidades de uso, que poderão conduzir a resultados inimagináveis de renovação das Comunidades, da Igreja Diocesana. As disposições práticas finais não esgotam, de modo algum, a criatividade que a Carta pode gerar.

Concordamos que é preciso devolver, em muitos casos, à Celebração, a harmonia da sua estrutura e a possibilidade de encontro “ritual” da diversidade como da especificidade dos membros que integram a assembléia. A redescoberta dos gestos e palavras é um caminho excelente. Nesse sentido, a Carta não é um sublinhado de normas, de regras a cumprir. Não pode ser acolhida como tal, sob pena de se transformar num “arejado” texto rubricista, que poderia resultar mais paralisante do que a própria rotina.

Q.S.