A religião do próximo presidente

A religião sempre esteve presente nas campanhas eleitorais norte-americanas e, em 228 anos de Estados Unidos, nunca a Casa Branca foi ocupada por um presidente ateu. No caso de Jefferson, persistem algumas dúvidas sobre as suas crenças cristãs, e há quem afirme que Lincoln só se tornou realmente cristão com a pressão da função presidencial. Mas a ideia transmitida à nação foi sempre a mesma: em Washington está um homem de valores sólidos e de fé profunda; só sob o poder de Deus o país pode ser governado.

Na campanha de 2004, as ideias religiosas estão de volta. No site da internet (www.beliefnet.com) discutiram-se largamente as convicções dos candidatos. Em resumo, quem é pró-Bush afirma que o cristianismo faz de George W. Bush um melhor presidente, um “campeão das questões morais próvida” (anti-aborto, anti-uniões “gay”, anti-investigação em embriões…). Os pró-Kerry defendem que o candidato de Massachussets “corporiza a tradição católica de pôr o bem comum antes do proveito pessoal” e que isso tanto se reflectirá no diálogo com as outras nações, para busca de consensos, como no alargamento dos cuidados médicos, na protecção dos mais pobres e no respeito pela natureza.

Alguns especialistas afirmam, no entanto, que a influência da religião dos candidatos nos eleitores é reduzida. Exceptuando os fundamentalistas católicos e principalmente evangélicos, os eleitores olham mais para “temas seculares”, como a economia e a política externa, do que para questões de moral pessoal e estritamente religiosas.

Aqui algumas frases sobre a religião dos candidatos, proferidas pelos próprios ao longo da campanha.

George Bush, metodista:

“Acredito num poder superior”.

“Rezo para pedir força e sabedoria, pelos nossos soldados, pela minha família”.

“A América é um país à parte. Sempre pudemos constatar que a liberdade, individual e colectiva, é um dom do Todo-poderoso, que nenhum mortal pode recusar a ninguém. E construímos uma nação em conformidade com esta crença”.

“Sou favorável a uma cultura da vida e a uma emenda constitucional que preserve a integridade do matrimónio”.

John Kerry, católico:

Andei na catequese quando era miúdo, ia à igreja todos os dias, duas vezes aos domingos. Levei o meu rosário para o campo de batalha [no Vietname].”

“A minha fé impregna toda a minha vida, é um guia, uma bússola moral e uma força. Ser católico tem implicações profundas na maneira como avalio a minha candidatura à presidência. O meu programa tem raízes em valores que os católicos conhecem bem: liberdade, família, trabalho, oportunidades, igualdade, responsabilidade, patriotismo e fé”.

“Respeito o ponto de vista dos bispos católicos, que condenam o aborto, mas estou em desacordo com eles”.