A propósito das Eleições Legislativas no dia 20 de fevereiro “A força que hoje se capta com maior intensidade é a de promover uma nova evangelização, uma nova “implantatio” evangélica, também com um referente ao âmbito social” – declara João Paulo II, no discurso feito a um grupo de professores de Doutrina Social da Igreja (DSI), recentemente reunidos para debater os desafios maiores da idade contemporânea.
Sem DSI, a nova evangelização fica reduzida nos seus objectivos e perde impacto no mundo de hoje. Não será esta uma das possíveis explicações para a nossa situação actual?!
Com efeito, é a partir de Jesus Cristo e do Evangelho que a Igreja se “interessa” com redobrada razão pela pessoa humana, seus direitos e deveres fundamentais, sua convivência organizada em sociedade, sua inserção na comunidade política, designadamente sua relação com o Estado democrático, seu exercício da cidadania solidária, sua participação na realização do bem comum e tantas outras explicitações da novidade que advém de Jesus e urge conhecer e promover em todos os âmbitos da vida.
Esta novidade constitui resposta aos desafios de hoje, inverte a pirâmide das necessidades, pois, enquanto todos não tiverem o necessário, não é legítimo acumular supérfluos, revoluciona o exercício do poder, abrindo horizontes às políticas de toda a espécie, colocando-as ao serviço do bem comum das pessoas, designadamente dos mais empobrecidos e desfavo-recidos.
Esta novidade torna o Evangelho presente na sociedade, na vida pública, nos centros de decisão e noutros espaços, onde os delegados do povo têm assento e fazem leis, atendendo à ética dos valores vivida pelo mesmo povo. Quem abusa do poder, de forma comprovada, perde a legitimidade. Quem propõe medidas que alteram substan-cialmente os programas honestamente apresentados no sufrágio eleitoral, desonra-se a si mesmo e “arvora-se” em substituto de quem lhe confiou a função.
As eleições têm duas voltas. A primeira coincide com a elaboração das listas e constitui a mais genuína escolha partidária, que o povo é chamado a sufragar. A segunda realiza-se com a ida às urnas e, frequentemente, serve para indicar se este ou aquele partido tem mais um ou outro deputado em cada círculo eleitoral. O quórum mais importante da Assembleia da República é decidido pelas direcções partidárias. Daí a complexidade das negociações prévias, o esforço feito em alguns quadrantes e tantas outras subtilezas, que nem sequer chegam ao conhecimento do público.
A ética na vida política é o rosto humano desta novidade. Sabem-no as pessoas honradas consigo mesmas e honestas para com os outros, sobretudo os eleitores, e os cristãos que se mantêm fiéis à novidade de Jesus Cristo. Sabe-o o público eleitor e, por isso, se alheia ou entusiasma com a política e as suas múltiplas expressões
Georgino Rocha
