Para reduzir a poluição atmosférica nas cidades Para a redução da poluição atmosférica provocada pelo tráfego rodoviário em espaço urbano, é necessário a concretização de um novo planeamento urbano que preveja, num mesmo espaço citadino, áreas residenciais, industriais, urbanas e de lazer, de modo a reduzir as necessidades de deslocação diária dos residentes, ao mesmo tempo que reduz a distância a percorrer entre a residência e o local de trabalho, defendeu Carlos Borrego, professor e investigador do Departamento de Ambiente da Universidade de Aveiro, no seminário “Transportes sustentáveis para a cidade do futuro”, que decorreu naquela universidade.
Na União Europeia, cerca de 79% do transporte de passageiros é feito por estrada, enquanto que o meio ferroviário transporta 6% e o aéreo 5%. Entre 1970 e 1998, o crescimento das necessidades de mobilidade diária média dos europeus passou de 17 quilómetros para 35 quilómetros, o que representa um incremento anual de cerca de três milhões de automóveis, de acordo com os dados avançados pelo antigo ministro do Ambiente.
Associado ao “desenvolvimento desarmonioso da política comum de transportes” está, no dizer de Carlos Borrego, a “degradação da qualidade do ar nas cidades, resultante de um conjunto de actividades poluentes, das quais é de realçar a importante contribuição do tráfego rodoviário”.
Congestionamento igual a prejuiço
Actualmente, refere este universitário, “7500 quilómetros (10% da rede transeuropeia de transportes) são afec-tados diariamente por engarrafamentos de trânsito; dezasseis mil quilómetros de ferrovias deparam-se igualmente com problemas de congestionamento da rede; e um total de 16 dos maiores aeroportos europeus regista atrasos de mais de um quarto de hora em mais de 30% dos voos”, o que, no dizer deste investigador, provoca “um consumo adicional de 1,9 mil milhões de litros de combustível, cerca de 6% do consumo médio anual”. Em termos económicos, os congestionamentos de tráfego rodoviário representam cerca de 0,5% do PIB (produto interno bruto) da União Europeia, num valor aproximado de 80 mil milhões de euros por ano.
Para inverter a actual tendência de aumento do transporte privado, Carlos Borrego aponta medidas como “a limitação do acesso e utilização do automóvel em áreas congestionadas ou problemáticas e a promoção da circulação de pedestres, ciclistas e transportes públicos, em particular aqueles que detenham já tecnologias de redução da poluição gerada”. Estas medidas, “induzem uma concertação de interesses e objectivos das entidades e agentes económicos intervenientes no processo de planeamento e gestão do sistema de transporte multimodal, que conduzam a uma eficiente associação e integração dos diferentes meios de transporte para um fim comum, como medida de gestão unificada da política urbana”.
