A eucaristia no meu coração Sei que, nos dias que correm, não é fácil falar-se sobre a Eucaristia. Todos sabemos como é comum escutar afirmações do estilo “ir à missa é coisa de outros tempos”, “só os velhos é que gostam de ir à missa”, “a mim a missa já não me diz nada”.
Pois é precisamente pela generalização deste tipo de pensamentos que urge dar o nosso testemunho pessoal sobre a Eucaristia.
Para mim, a Eucaristia é a celebração da Vida, que se materializa através do Alimento e do encontro com os irmãos – assim acontece a Comunhão. Por isso, entendo que este Sacramento faz cada vez mais sentido nos tempos em que vivemos.
É preciso olhar as primeiras comunidades cristãs, que chamavam à Eucaristia a “fracção do pão”, para entender como cada celebração, está longe de ser um “mero rito”. Ela é verdadeiro símbolo da partilha que deve acontecer entre todos os seres humanos. E, porque todos so-mos irmãos, eu não me posso esquecer dos biliões de pessoas que vivem, pelo mundo fora, padecendo de fome – quer pela ausência de alimento, quer pela negação da justiça, quer até pela falta de sentido para a sua própria existência.
Participar na Eucaristia faz-me ficar mais próximo do Outro – criação de Deus, a quem o mundo nega, tantas vezes, a possibilidade de ser feliz. Na Eucaristia encontro, pessoalmente, o Alimento que me anima a saciar a fome aos irmãos.
Ao mesmo tempo, claro, a Eucaristia é Acção de Graças. No “vinho”, símbolo humano para momentos de alegria, entendo o Sangue de Cristo que, derramado por nós, me contagia com a alegria da Vida Nova. Quem sente essa Vida Nova tem que celebrá-La junto dos irmãos e partilhá-La.
Hoje em dia, a Partilha e a Alegria soam como palavras distantes, por isso participo na Eucaristia, porque sei que Jesus Cristo aí se faz presente e a Sua presença é fonte de Vida. O Pão e o Vinho são, então, o Alimento que me Fortalece com os Dons da Partilha e da Alegria de viver.
Estar em “comum união” com os Irmãos, torna-se, para mim, Força que sustenta a minha Fé. Daí a Eucaristia me ser tão vital, para que o Senhor aumente, em mim, a capacidade de Amar os outros, especialmente os que sofrem de tanta(s) fome(s).
Depois, ao deixar a Comunhão, tenho a noção plena de que ela não terminou. Pelo contrário, a Eucaristia (re)começa, ali mesmo, com a despedida do presidente que, ao enviar-nos em Missão, me anima a prosseguir na ousada tarefa de imitar Jesus Cristo, em todos os momentos e circunstâncias da minha vida.
Jorge Carvalhais
