Sumo Pontífice

O Leitor Pergunta – De onde vem o título “Sumo Pontifíce” para o Papa? A compreensão do sentido profundo do título «Sumo Pontífice», aplicado ao Bispo de Roma, como titular da cadeira de Pedro e chefe do Colégio dos apóstolos, só é possível percebendo, primeiramente, o sentido etimológico da mesma expressão.

«Summus» é um adjectivo latino com um sentido superlativo de «o mais elevado». «Pontífice» é, por seu turno, um substantivo que deriva de «pontifex», substantivo aplicado a um membro do colégio dos sacerdotes, a que presidia o Pontifex Maximus. Segundo uma etimologia mais profunda, este substantivo é subsidiário de pons (ponte), por se considerar que aos sacerdotes se reconhecia terem construído, em Roma, uma ponte sobre o Tibre, que possibilitara o culto nas duas margens do rio. Um sentido mais teológico deste substantivo permite considerar que os sacerdotes eram, mais do que estes construtores, aqueles a quem se reconhecia o papel de construírem uma ponte entre o efémero e o eterno.

Ora, aplicados ao Bispo de Roma, o adjectivo «Sumo» e o substantivo «Pontífice» definem a sua singular condição de chefe do colégio daqueles a quem Jesus Cristo chamou para serem os seus apóstolos, tendo, em concordância com a última etimologia apontada, «as chaves do Reino dos Céus», (… sendo que) tudo o que ligar na terra, ficará ligado no Céu e tudo o que desligar na terra ficará desligado no Céu (Mt 16, 19).

Este título e o seu significado está profundamente enraizado na longa história da Igreja, como fica claramente enunciado no concílio de Florença (1439): “Definimos que a Santa Sé Apostólica e o Pontífice Romano possui o primado sobre todo o universo e que o mesmo Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro, príncipe dos apóstolos. Ele é o Vigário de Cristo e cabeça de toda a Igreja, pai e mestre de todos os cristãos, tendo recebido de nosso Senhor, na pessoa do bem-aventurado Pedro, o pleno poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal, como se encontra nas actas dos concílios ecuménicos e nos sagrados cânones”. Também o Vaticano II (1962-1965) reflecte neste sentido: «O Senhor Jesus elegeu os doze… A estes apóstolos fundou-os em colégio ou grupo estável e deu-lhes como chefe a Pedro… (…) O senhor colocou somente a Simão como rocha e portador das chaves da Igreja, constituindo-o pastor de toda a sua grei.” (Lumen Gentium 19, 20 e 22).

A par deste título podem ser invocados muitos outros, atribuídos ao Papa (este título, marcado por grande afectividade, era, inicialmente, atribuído a pessoas com fama de grande vivência espiritual, mas passou, a partir do século VI, a ser reservado ao Bispo de Roma), como sejam Pontífice Romano, Servo dos Servos de Deus, Vigário de Cristo, Pontífice Máximo. De qualquer modo, nos títulos se pretende sempre referir a condição de Bispo sucessor de Pedro na cátedra de Roma, com o poder de garante das verdades da fé e costumes, juiz universal e governo de toda a orbe.

Luís Silva