Neste tempo de superficialidade e triunfo do transitório e do efémero, no qual muitos se empenham em rasgar da história as suas páginas mais determinantes e sérias, a manifestação pública das nossas convicções profundas, que dão sentido à vida pessoal e ao agir diário e são a luz orientadora de séculos passados e vindouros, impõe-se e tem em si uma redobrada força e sentido.
Jesus Cristo é um nome a apagar da história humana, que o laicismo, enviesado e unidimensional, procura reescrever a seu jeito, com tristes consequências à vista.
Ele, que constitui e constituirá sempre, o mais rico e determinante património da Humanidade, assim reconhecido pela fé dos crentes e a honestidade dos não crentes, está sendo vilipendiado de muitos modos e, agora também, em livros, que a montagem publicitária tornou famosos e pôs à cabeça da lista dos mais vendidos em todo o mundo. Nada é de estranhar numa sociedade, em parte manietada e empobrecida, que parece preferir a ficção à verdade, a satisfação de interesses ao respeito pela história, a leitura fácil da realidade à reflexão séria sobre o que nela tem sentido e raízes e dá ao homem e à mulher razões de esperança.
Jesus Cristo, Deus connosco e luz do Homem que também é, sempre foi e será, ao longo da história humana, um tropeço incómodo para os que temem a verdade, desdizem o valor infinito do amor oblativo e gratuito e pensam os outros homens e mulheres ao nível da sua mediania e dos interesses em jogo. Tropeço incómodo para os que se mostram incapazes de perceber a vida de alguém feliz e realizado, para além dos critérios que traduzem banalidade e que nada comportam de apaixonante, nem de projecto capaz de encher uma existência concreta.
A força da Igreja, quando provoca e deixa um lastro de luz e de vida, não é o prestígio de membros da hierarquia, a riqueza artística dos seus monumentos, o impulso inegável que, historicamente, ela deu à cultura e à humanização da sociedade. A sua força é a sua fé em Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, vencedor de todas as formas de morte, o Jesus Cristo Pascal. É nessa força que se enraízam os seus compromissos de serviço dedicado e contínuo às pessoas e aos povos, à causa da justiça na defesa dos pobres, dos excluídos sociais e dos fragilizados, de uma economia ao serviço das pessoas, à promoção humana e da paz e da reconciliação, à promoção da liberdade e dos direitos humanos fundamentais, um projecto que ela vai realizando tantas vezes em contraste com as correntes de facilidade e as ideologias de simpatia que por aí se apregoam.
É a fé em Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida – que nunca deixará que a Igreja desista da causa do homem e da sociedade, a defender e a dignificar. Sem medo, sem se vender à mentira ou ao mais fácil, sem cair em conluios que podem alterar a sua missão, sem temer perseguições e calúnias, sem transigências fáceis para conservar os seus membros.
Os mártires de todos os tempos, o ressuscitar diário das cinzas, contrariando a sentença de morte muitas vezes pronunciada, a força interior incontida dos santos, as profecias no tempo que a loucura verbalizou, a fé generosa dos mais humildes, o retomar sereno da vida depois de todas as perseguições, a entrega corajosa e serena de muitos jovens à missão evangelizadora, a descoberta luminosa do sentido redentor do sofrimento, são sempre fruto amadurecido da fé em Jesus Cristo vivo. É a experiência confessada do Apóstolo Paulo, que denunciava a fraqueza de tudo quanto o pretendia atingir, por parte dos seus inimigos. Ele sabia bem em Quem acreditava.
A Páscoa é, para os cristãos, o convite e o apelo à manifestação pública da sua fé em Jesus Cristo, numa sociedade onde já não falta quem queira apagar o Seu nome.
