Mais um campeonato regional

Ponta de Lança Somos muitos os que gostamos de usufruir das oportunidades que as terras vizinhas nos oferecem; seja por lazer, ligações profissionais, relações familiares, laços de amizade, riqueza patrimonial, matriz toponímica,… são muitos os pretextos para sabermos viver civilizadamente com os que estão ao nosso lado.

A fortalecer tudo isto, inclusive por vezes a catapultar aptidões (quem sabe?), temos ancestrais formas de confrontar os vizinhos.

No tempo das cavernas (do Paleolítico, do Neolítico, na Era Ferro), os choques eram totalmente néscios. A antiguidade clássica permitiu o agora e o fórum. E a instrução suscitou outras variantes, nomeadamente a argumentação e a metafísica. A Idade Média elevou estes métodos e promoveu a contemplação até à razão da modernidade, das luzes. Hoje, o confronto é pós-ideológico. Curioso?!

Há duas realidades que, no entanto, não saíram do proto-período: a destreza e a brutalidade. Uma e outra serviram-se.

A destreza ganhou outras formas de se expressar – às vezes chama-se desporto!

a brutalidade ganhou conceitos – às vezes chama-se debate!

É por isso, deduzimos, que quando se aproximam momentos cruciais para a vida dos cidadãos, emerge um grande sincretismo nas razões para a argumentação, para o debate e até para o desporto. Ninguém olha a meios para atingir os fins, e isto durante períodos sem fim. As vizinhanças e amizades são armas de combate, por vezes duelos,… uns renhidos campeonatos regionais de traulitada!

Em suma, quem fica a perder é o futuro de cada indivíduo, de cada grupo. Algumas querelas pessoais chegam a confundir-se com as instituições.

Ciclicamente, à porta de eleições autárquicas, assaltam-nos estes maus pensamentos!?

Desportivamente… pelo desporto!