Colaboração dos Leitores Graças a Deus estamos a começar um novo ano. Contudo, como afirma o título, parece um ano novo que cheira a coisas velhas. Na verdade, o ano que agora dá os primeiros passos parece não uma criancinha a começar a andar, mas um velhinho trôpego e a quem cada passo é um esforço e um pé atrapalha o outro.
Estarei a ser pessimista? Penso que não… Considero-me até uma pessoa optimista e que acredita que o mal há-de passar. Mas é mais forte do que a minha vontade a realidade.
Os portugueses, depois da euforia do Euro 2004, começavam a acreditar que o país estava a recuperar, mas as melhoras tardaram em mostrar a recuperação e todos novamente desanimaram. Parece que cada dia é sempre pior: o desemprego a aumentar, o custo de vida a aumentar, os salários a emagrecer, a população a envelhecer, e por aí fora, num rosário interminável. (…)
Recordam-se como começaram os noticiários do dia de Ano Novo: combustíveis vão aumentar, o pão vai encarecer, os transportes vão subir. Como pode o país sair da depressão com tantos profetas da desgraça e pregoeiros nefastos a influenciar a população?
É preciso trazer ânimo aos portugueses! É preciso gritar bem alto que somos capazes de produzir e gerar riqueza! Mas é também preciso dizer que é preciso muito trabalho. Estamos num tempo que considero ser um momento fulcral para a nossa sobrevivência como Estado e como Nação. Se os portugueses quando emigram, muitos geram fortunas e acumulam alguns bens, porque é que na sua pátria não o conseguem fazer? Há algo de muito estranho que se passa e que penso ser fácil descobrir. Muitos portugueses sofrem uma «doença», como diziam os velhinhos quando eu era uma criança – «sofrem de mal de inveja». Sim, o «cancro» que grassa neste país é a inveja. Todos querem o lugar dos outros, não olhando a meios para atingir os seus objectivos. Todos querem ter tudo, fazendo o que necessário for para o obter. Todos desconfiam do outro quando começa a enriquecer e logo vem o pensamento – não deve andar a fazer boa coisa.
Já diz a tradição cristã, na sua doutrina, contra a inveja, caridade. E a caridade é o amor. Sem o amor de uns pelos outros, como a si próprios, Portugal não sairá da cepa torta.
Sérgio Carvalho
