Estuda ligações entre comunicação e violência “Sou velha, mas ainda não desisti destes projectos para melhorar a sociedade”, disse Maria Barroso Soares, na segunda-feira, na Universidade de Aveiro (UA), durante a apresentação da SUDcom, uma rede transnacional que visa investi-gar e reflectir sobre as relações entre a comunicação social e a violência. “É importante que propaguemos estas ideias e atitudes pelos mais novos, para que não conheçam apenas o nome do Figo e do Eusébio, mas tenham perspectivas de esperança”, disse a doutorada “Honoris Causa” pela UA.
A rede SUDcom, à semelhança da rede da Europa do Norte, Nordicom – em que se inspira –, reúne países do Mediterrâneo (Sul da Europa e Norte de África) e congrega académicos, profissionais da comunicação e da informação, políticos, professores e estudantes, instituições e grupos que partilham sobre a relação comunicação/violência.
Maria Barroso sente-se particularmente preocupada com a influência da televisão nas crianças e jovens. Daí, a criação da SUDcom em Portugal. “Tenho uma escola [Colégio Moderno, em Lisboa], não a dirijo, mas acompanho-a, falo com os jovens e apercebo-me da importância e influência da televisão”, disse Maria Barroso. Fazendo notar a forte violência a que as crianças ficam expostas, chegou mesmo a invocar a necessidade “censura”, no seguimento do filósofo Karl Popper, não uma censura política, mas, com certeza, uma regulação que limite a exibição de conteúdos que influenciam negativamente os mais novos.
Universidade dinamiza rede
Na região de Aveiro a rede será dinamizada pela UA, que consagra nos seus estatutos a “formação humana”, através da UNICA – Unidade de Investigação em Comunicação e Arte. Tem ainda o contributo fundamental da Civitas Aveiro, uma associação de “promoção e defesa dos direitos humanos no ensino superior”.
Falando pela Civitas, nesta sessão, Hélder Castanheira referiu que há estudos que mostram que os média desencadeiam violência, des-sensibilizam (“tornam indiferentes à violência”) e induzem a “concepções tendenciosas sobre a realidade”, mas salientou também que “é fácil atirar pedras”, culpabilizando os meios de comunicação social. A questão fundamental da violência reside “na forma como pensamos e organizamos a nossa vida”. Quanto mais “a família, a comunidade” e outras estruturas “amplificarem a cidadania”, menos a violência dos meios de comunicação se fará sentir.
Por seu turno, Conceição Lopes, da UNICA, apelou à participação das entidades presentes (Bispo de Aveiro, Governador Civil, Chefe da Polícia, jornalistas, entre outros) e adiantou uma primeira hipótese de investigação académica nesta área: “A violência como manifestação caótica da falta de vivências lúdicas”.
Dentro de dias a SUDcom terá uma página na Internet para dar-se a conhecer e divulgar suas actividades.
