A crise não é económica, nem financeira, nem dos mercados. É sermos um país ou tornarmo-nos irrelevantes. Ou seja, um país que não consegue governar-se a si próprio e que ninguém quer governar. Que esse futuro possa acontecer não é só uma questão de crença – é o destino que nos espera se continuarmos a acreditar que de uma maneira ou de outra acabamos sempre por nos safar.
Miguel Gaspar
Público, 18-05-2010
Vivemos numa época que tende a folhetinizar tudo – aconteci-mentos, crises, vidas públicas, catástrofes, aventuras privadas. O folhetim tornou-se talvez mesmo na única versão da história que a época comporta – de anteontem até depois de amanhã e o esforço já é grande.
Manuel Maria Carrilho
Diário de Notícias, 20-05-2010
Assalariámos a pobreza (…)? Sem dúvida que sim. O espírito assistencialista da prestação, o seu automatismo e o facto de ser um rendimento de garantia e não um rendimento de inserção potenciaram a inércia geralmente associada a mecanismos de pura subsidiação e consagraram a dependência como forma de vida minando a dignidade das pessoas, a sua auto-estima e desvalorizando o reforço da capacidade individual para se bastar. Tudo mergulhado num caldo de permissividade e suspeição.
Maria José Nogueira Pinto
Diário de Notícias, 20-05-2010
Há uma corrosão acentuada na sociedade portuguesa. A impostura adquiriu carta de alforria: ninguém é culpado, ninguém é responsabilizado. Quem nos acode?
Baptista-Bastos
Diário de Notícias, 10-05-2010
Corremos um sério risco de batermos na parede. Já não depende de nós. O comboio já arrancou há bastante tempo, a parede está lá, e a sensação é de que os maquinistas não estão a ver.
Pedro Ferraz da Costa
Diário Económico, 24-05-2010
