Somos assim, não há que ver…

Uma pedrada por semana “O português não é conflituoso, é desordeiro. O conflito está na mente, a desordem no coração…O lado lúdico da vida, como acontece com as crianças, é mais apetecível do que o lado filosófico…O português não aprende com o passado, não lhe dedica tempo de maior. Prefere seguir os impulsos da sua curiosidade que o leve a algum lugar que pode coincidir com os seus desejos”. Quem assim escreve é Agustina Bessa Luís.

Vim ouvindo, atentamente, o longo discurso do PM e as intervenções do seu apoio e da oposição. Tenho, de há muito, a mania, que não quero perder, de querer ver as coisas claras e de pensar que as pessoas, com responsabilidades públicas, têm, por dever, ser exemplo de verdade e de respeito por todos, mesmo que sejam de cores políticas diferentes, de ouvirem os outros quando falam, de resistirem ao maniqueísmo que levanta muros a separar os bons dos maus, como se não tivéssemos todos de uma coisa e de outra…

Fui confrontando o que vinha ouvindo, com as palavras de Agustina que, nessa mesma manhã, eu copiara. Era legenda numa exposição de história, que visitara em Santarém.

Quantas questões me ocorreram e que gostava de fazer ao PM e aos deputados da AR!

Que é isso de “estado social” num regime democrático? Só é bom governante ou bom político de esquerda quem seca, deliberadamente, as iniciativas e as capacidades da sociedade civil? Público ou bem público é só o que faz o estado e o governo? Onde começa, no serviço à nação, a verdade objectiva, e termina o espectáculo? O que conta mais, os números, ainda que milhões, ou as pessoas reais? Já não há idosos pobres em Portugal? Mas eu encontro-os todos os dias, e vivo cá no país…Que interessa ensinar inglês ao João, se cada dia se sabe menos quem são os pais do João? O ponto a que se chegou com as leis facilitadoras do divórcio e do aborto tornaram mesmo o país mais feliz e mais moderno, como ontem eu ouvi? A política dos ATL foi mesmo ao encontro da realidade familiar?

E não pararia mais de fazer perguntas pertinentes. Agustina diz que para os portugueses, “o lado lúdico da vida, como acontece com as crianças, é mais apetecível do que o lado filosófico”. E recordo que, também, que “o português não aprende com o passado, não lhe dedica tempo de maior”. A ser assim, que fatalidade e que sorte a nossa …