Papa passa as férias de pulso engessado

Bento XVI lamenta que a imobilização do pulso o impeça de abençoar, escrever e cumprimentar

O Papa está a aprender a viver com o pulso direito engessado e com os inconvenientes que decorrem dessa situação, depois ter sofrido uma queda, de quinta para sexta-feira passada, na casa onde passa alguns dias de descanso, em Les Combes, Alpes Italianos. O médico pessoal de Bento XVI, Patrizio Polisca, afirmou que a queda foi acidental, não se devendo a qualquer doença.

O Papa entrou no hospital de Aosta pelo seu próprio pé, pelas 10h, e esperou atrás de outros doentes para fazer um raio X e ser operado ao pulso, com anestesia local. Depois de uma permanência de seis horas – a intervenção cirúrgica durou 25 minutos e consistiu no realinhamento dos fragmentos do osso do pulso –, regressou à casa de férias. Bento XVI trazia o pulso engessado e, muito sereno, saudou com o braço esquerdo e com um sorriso os jornalistas que o esperavam à saída.

O cirurgião ortopédico que realizou a operação, Amedeo Mancini, afirmou que o acidente não trará consequências, e que quando o pulso estiver curado, o Papa poderá voltar a escrever e a tocar piano. “Foi um doente especial para uma operação de rotina”, referiu o médico, acrescentando que Bento XVI concordou prontamente com a cirurgia.

De acordo com o Secretário de Estado do Vaticano, Card. Tarcisio Bertone, a imobilização do pulso de Bento XVI atrasará a escrita da segunda parte do livro «Jesus de Naza-ré» – a primeira foi publicada em 2007. “O Papa já tinha em mente a arquitectura do texto”, pelo que agora deverá pensar numa maneira alternativa de concretizar as suas intenções, indicou o Secretário de Estado.

Segundo o porta-voz do Vaticano, P.e Federico Lombardi, para o Papa, “o mais doloroso é ter que renunciar a escrever à mão, algo que pretendia fazer com frequência nestes dias”.

No domingo, antes da oração do Angelus, Bento XVI falou da sua queda e deixou palavras de agradecimento aos que, em todo o mundo, mostraram a sua preocupação: “Gostaria de agradecer de todo o meu coração a todos – e são tantos – que neste momento mostraram a sua proximidade, simpatia e afecto por mim, que rezaram por mim e que, assim, reforçaram a rede de oração, que nos uniu em toda a parte do mundo”, prosseguiu.

“Como podeis ver, por causa do meu infortúnio, estou um pouco limitado na minha agilidade. Mas, a presença do coração é plena e estou convosco com grande alegria”, começou por dizer.

O Papa manifestou um apreço especial para com os clínicos que o trataram após: “Gostaria de agradecer, acima de tudo, aos médicos de Aosta, que me trataram com tanta diligência, competência e amizade. Como podeis ver, esperamos pelo sucesso no final”.