D. Carlos Ximenes Belo apelou à fé, à solidariedade e ao empenho no estudo. “Procurem formar-vos bem, nas ciências, nas línguas…”
Na véspera do nono aniversário da Independência de Timor-Leste (20-05-2002), o Nobel da Paz, D. Carlos Filipe Ximenes Belo esteve na Escola Secundária Homem Cristo para falar sobre liberdade, reconciliação e paz. Foi a conferência final da semana da Liberdade, assinalada pelo terceiro ano naquela escola.
O bispo emérito de Dili, falou da história do seu país, do seu povo e do caminho que fez e ainda tem de fazer para alcançar uma paz definitiva num desenvolvimento pleno.
Falou de especial modo aos alunos, definindo algumas etapas do que fazer para um mundo melhor: a fé, acreditar em primeiro. Depois a solidariedade, empatia para com todos os povos do mundo – “Se eles sofrem, eu também sofro”. Não pensarmos só naquilo que nos rodeia e vemos todos os dias, mas nas pessoas, nossos irmãos, mesmo além fronteiras. Concretizou ainda o facto de com todas as limitações que cada um tem, explicando o que fazer para ser significante e eficaz: “Se queremos tornar o mundo um sítio melhor, temos de nos tornar melhores a nós próprios, melhorar o nosso ambiente, a nossa escola. Formarmo-nos em virtudes, em valores, no nosso meio! Se todos fizéssemos assim o mundo estaria melhor, sabendo embora que isto é uma utopia porque lá fora há ódios, violência. Isso não impede a juventude no entanto de procurar essa utopia: ser bom”.
Em segundo lugar, o Nobel da Paz exortou os jovens ao estudo: “Procurem formar-vos bem, nas ciências, nas línguas, em todos os saberes para que um dia sejam talvez políticos, diplomatas ou noutra frente profissional e de causas possam ser úteis, para aí poderem intervir mais para melhorar as condições sociais e humanas do mundo”.
“Procuremos trabalhar, com os olhos nesta utopia e sem cruzar os braços ou desanimar. Enquanto o Homem não se converter na generosidade, na partilha, haverá sempre conflitos e exercícios de poder pessoal”.
Os alunos conheceram um dos obreiros da independência do país irmão, um obreiro de paz e da Igreja, exemplo vivo de que – não sendo a Igreja do mundo – está nele para que possa fazer dele o mundo das bem aventuranças proclamadas há dois mil anos. O Reino é aqui e agora e é dever de todos nós, cidadãos do mundo, estudantes cheios de sonhos, leigos ou clero intervir, ser sinal de esperança e de dever cumprido da Igreja para o mundo.
P.N.
