Poço de Jacob – 84 Num terceiro ponto, retomando o tema dos cinco pontos (ver Poço de Jacob – 82, há quinze dias), sempre sublinhando que o Evangelho já há dois mil anos nos vem falando das realidades que Fátima apenas nos recorda, somos convidados à Penitência.
Ir a pé, ou de joelhos, tem o seu valor e mau mestre seria o que lhe tirasse o valor, que é tão velho como o homem de todas as religiões, desde sempre. Só porque eu não me sinto chamado a fazê-lo não quer dizer que quem o faz esteja errado. Às vezes, encontramos essa atitude intolerante na própria Igreja, na pessoa de padres e leigos ditos esclarecidos. Temos de respeitar a piedade popular. Foi ela que garantiu muita coisa na Igreja. Mas, a penitência de Fátima está ligada à atitude evangélica da reparação e a da conversão. Lúcia definiu-a assim: É todo o esforço que cada um de nós tem de fazer para cumprir o seu dever de cada dia, segundo o seu estado de vida. Podemos chamar a isto, como tão bem ensinaram, por exemplo, o P.e José Kentenich e S. Escrivá de Balaguer: a santidade da vida diária. É o que mais custa e o que mais agrada a Deus, não porque custe, até porque quando se tem amor nada nos custa, mas porque aperfeiçoa e educa o ser humano.
O que quer Deus de ti em cada dia? Que cumpras por amor a Deus e aos homens, o teu dever de cada dia, na tua família em primeiro lugar, no teu trabalho, na sociedade, na Igreja. E que o faças bem, com competência, responsabilidade, brio profissional, perfeição e com espírito de serviço. Esta é a penitência do Evangelho, que não exclui jejuns, cilícios, mortificações, abnegações, sacrifícios…, mas vai ao essencial. E Fátima faz eco disso.
O quarto ponto é a Oração, sem a qual nada dos pontos anteriores tem valor. Nem a própria vida. Santa Teresa dizia: Quem quiser perder o caminho deixe de fazer oração. Fátima aponta para a oração de Jesus, que é a Missa, quando o Anjo traz a comunhão aos pastorinhos e com as referências tão respeitosas que Nossa Senhora em todas as Suas aparições faz aos sacerdotes, tão diferentes das mofas e escarninho do nosso povo. “Ide ao sacerdote e dizei”. O padre como aquele que confecciona a Eucaristia na capela mandada erguer por Maria, ali, naquele lugar. A oração vocal e meditada do terço do Rosário, pedida insistentemente por Maria em cada aparição e presente em todas as aparições marianas, desde o início do séc. XIX. A oração de intercessão pelos pecadores. A oração que confronta a vida com as directrizes da palavra de Deus e move e transforma vidas e corações. A oração de intimidade, bem presente na vida do Francisco de Fátima. O prolongamento da Missa na adoração do Santíssimo Sacramento e até o valor formativo das procissões como liturgia na rua.
E, finalmente, a Consagração ao Coração de Maria, através de um gesto de entrega incondicional, mais tarde pedida em Tuy como consagração do género humano, mas em Fátima como atitude de renovação das promessas de Maria em Aliança de Amor com Deus através de Maria, e com um símbolo que é o escapulário de Carmo, distintivo dos filhos de Maria. Ser de Maria para ser de Jesus em fidelidade como Ela ao projecto de Deus.
Vivendo estes cinco pontos, que resumem Fátima, permitiremos a realização da promessa de que a Igreja triunfará na nova Jerusalém, revelada por Maria no final do segredo em três partes: Por fim o meu coração triunfará, no mundo, na Igreja, em ti, em mim…e chegará o dia em que Deus será tudo em todos.
P.e Vitor Espadilha
