Devotos cumprem tradição no Santuário da Senhora de Vagos

Unidos pela mesma fé, peregrinos oriundos dos municípios de Cantanhede e Mira, tomaram parte na celebração eucarística, presidida por D. António Francisco Santos, que trouxe ao santuário mariano de Vagos milhares de devotos.

Cumpriu-se, uma vez mais, a tradição, que, na actualidade, faz com que algumas (poucas) centenas de crentes, ainda percorram a pé os cerca de 30 quilómetros que separam Cantanhede de Vagos.

Os peregrinos partem, de Cantanhede e dos restantes lugares da freguesia (Póvoa da Lomba, Lemede, Varziela, Franciscas, Lírios e Tarelhos), de madrugada, e chegam a Vagos pelas 10 da manhã. Dirigem-se em procissão, acompanhada pela cruz paroquial, bandeiras e outras insígnias, ao santuário, onde entram na capela para aí cumprirem, em silêncio, as suas promessas.

Para o responsável paroquial de Cantanhede, padre Luís Francisco, faz todo o sentido “celebrar uma história religiosa que começa no século XII”, altura em que o primitivo santuário foi entregue ao Convento de Grijó. Alegadamente “herdeiros e responsáveis” de perpetuar aquela experiência, os devotos mantêm uma ligação “afectiva e humana da fé, num cruzamento de gentes, sensibilidades e perspectivas, que importa reter”, admitiu aquele sacerdote, para quem a memória é “renovação, criatividade e actualização daquela que é a mensagem mariana”.

Respostas solidárias

e criativas

Na homilia, o Bispo de Aveiro disse que a oração continua a ser a “alma do culto cristão”, sem desviar os crentes da realidade. Antes lhes dá “consciência nova” dessa mesma realidade, que deve ser vista com “plena lucidez, à luz da fé e na perspectiva da salvação”, disse D. António Francisco Santos, destacando que a Igreja orante é sempre “lugar de esperança para o mundo”.

Preocupado com o desemprego e os problemas das famílias, o prelado aveirense admitiu que a sociedade está em mudança, e como tal “exige” a presença atenta de todos e empenhamento lúcido dos cristãos. “As dificuldades sociais e de privações graves, no seio de muitas famílias, impõem respostas urgentes, solidárias e criativas”, referiu.

Admitindo que a hora é de peregrinar a anunciar caminhos de missão, radicada “na força do Evangelho e voltada para o mundo”, o Bispo de Aveiro reconheceu, por outro lado, que a “alegria jubilosa” fundada em Deus, não permite que o medo e a angústia sejam companheiros de viagem.

“Aqueles que a vida feriu e a quem o desemprego, a doença, as privações e as provações fragilizam, têm de encontrar em cada um de nós e nas nossas comunidades um testemunho”, disse, sublinhando que, a exemplo de Santo António, é tempo de reavivar o ardor, o zelo e o entusiasmo no anúncio “corajoso” do Evangelho.

E olhar para o futuro “com confiança”, neste caminhar como Igreja, para o santuário de Nossa Senhora de Vagos, trazendo connosco “as cores próprias dos carismas da vida, da fé, do trabalho, dos sonhos, projectos e provações, tristezas, das dores e dos sofrimentos de todos nós”, acrescentou o Bispo de Aveiro.

Eduardo Jaques