Pelo menos por um ano, o Dia da Igreja Diocesana deixou o Santuário de Vagos. Quatro mil pessoas celebraram a festa da diversidade e da união
Terão sido cerca de quatro mil os cristãos que celebraram no domingo, 6 de Junho, o Dia da Igreja Diocesana, no Parque de Exposições de Aveiro. “Belíssima e encantadora moldura humana” – assim qualificou D. António Francisco a assembleia que participou na Eucaristia, ao final da manhã, e na parte recreativa, durante a tarde, com as intervenções dos arciprestados e as canções do P.e João Paulo Vaz, de Coimbra.
O Bispo de Aveiro proclamou na homilia: “Somos Igreja na beleza da unidade e da comunhão, na diversidade das terras de origem, na multiplicidade de paróquias, grupos e movimentos”. O dia foi vivido em tons festivos – “Vive a festa da esperança” era o lema – mas o Pastor da Diocese de Aveiro apelou à dimensão missionária dos cristãos e ao testemunho. “Somos Igreja atenta aos que nos procuram e disponível para ir ao encontro dos outros”. Lembrado um apelo recente de Bento XVI, em Portugal, disse: “A mera enunciação da mensagem não chega. Não toca nem muda a vida. O que fascina é sobretudo o encontro com as pessoas crentes”.
Referindo-se ao percurso em direcção ao jubileu dos 75 anos de restauração da Diocese, o Bispo de Aveiro disse: “Protagonizaremos todas as mudanças que sejam exigidas pela missão. É tempo de avaliarmos o caminho andado e o esforço feito”.
O P.e Francisco Melo, responsável pela organização do dia enquanto vigário para a Pastoral Geral, manifestou-se satisfeito, apesar do cansaço que sentia pelas noitadas que a organização do dia implicou: “Se há uma coisa bonita, é ver que estão todos envolvidos: grupos, paróquias, escuteiros, serviços diocesanos. Em termos logísticos há algumas coisas a mudar, mas penso que a experiência deste dia diocesano, em novos moldes, é muito positiva. Estamos a começar a criar a dinâmica para a celebração do jubileu da Diocese com o que isso significa de mudança e renovação das nossas estruturas e pessoas”.
D. António Francisco naturalmente desdobrava-se em diálogos com os fiéis de toda a Diocese, resumindo ao Correio do Vouga estes contactos nestas palavras: “Vi que estão aqui pessoas de todas as paróquias por onde passei [D. António Francisco já visitou cinco dos dez arciprestados]. Durante uma semana, fui ao encontro das pessoas em cada paróquia. Nestes dias, sinto a alegria, que é uma alegria recíproca, de ver que as pessoas vêm ao encontro do seu Bispo e da Igreja para vivermos a festa da comunhão e da esperança”.
Jorge Pires Ferreira
“Quisemos quebrar rotinas que desgastam”
“Com esta nova forma de viver o Dia da Igreja Diocesana quisemos quebrar rotinas que desgastam”, afirmou ao Correio do Vouga D. António Francisco, realçando que foi fundamental o trabalho da Vigararia da Pastoral Geral, liderada pelo P.e Francisco Melo, e a colaboração dos párocos, que anteciparam as eucaristias para que as pessoas pudessem participar na celebração diocesana. “Mobilizando crianças, jovens, movimentos apostólicos, doentes, teve-se em atenção todas as realidade da igreja diocesana. Este é o ritmo de dinamismo que nos orienta ao longo de cinco anos em ordem ao jubileu e da missão popular dos 75 anos da diocese [2112/13]”, disse. O Bispo de Aveiro realçou, por outro lado, o espaço diferente que acolheu o Dia: “Viemos para um lugar que não são os templos das nossas igreja habituais. É um espaço aberto que hoje transformamos em templo de louvor ao Senhor e de visibilidade para a sociedade civil. É um gesto de aproximação a realidade novas, de procura de contextos diferentes para estarmos mais próximos da realidade do mundo e sermos fermento de transformação do mundo”.
Mudanças para que a Igreja seja mais sinal
Na homilia, D. António Francisco disse ser necessário protagonizar as mudanças que missão exigir. Ao Correio do Vouga explicou algumas dessas mudanças. “O mundo e a cultura estão em transformação contínua. A Igreja tem de ser resposta e sinal inovador para este mundo. Na escuta da palavra de Deus, na celebração dos sacramentos, na renovação das comunidades paroquiais, na valorização dos movimentos apostólicos, temos de estar atentos à mudança. Temos de mudar o que for necessário na reorganização diocesana, nos seus serviços e estruturas, na forma da Igreja estar presente no mundo, no testemunho da beleza da vocação sacerdotal e na diversidade dos ministérios laicais, na abertura das paróquias, a começar pela comunhão e unidade entre sacerdotes ao nível do arciprestado, na repartição do clero, na partilha de iniciativas pastorais válidas, no serviço aos mais pobres, na valorização da educação cristã, na centralidade da Eucaristia”. D. António Francisco adianta que na mudança para os novos tempos há três referências permanentes: o Evangelho, o II Concílio do Vaticano e o II Sínodo da Igreja de Aveiro.
