Primeira ordenação episcopal na Igreja da Santíssima Trindade. Novo responsável pela diocese de Coimbra promete anunciar “linguagem da cruz” de forma “nova e acessível”.
D. Virgílio Antunes, de 49 anos, foi ordenado bispo em Fátima, no domingo passado, após ter sido nomeado como novo responsável pela diocese de Coimbra, a 28 de Abril, e prometeu anunciar a “linguagem da cruz” de forma “nova”. “A linguagem da cruz, que hoje se procura calar e esconder, continua a ser o grande sinal do amor de Deus pelo seu povo em todas as situações de consolação e de sofrimento”, afirmou.
Numa cerimónia presidida pelo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, o mais recente membro do episcopado português quis agradecer a todos os que o acompanharam neste momento.
“Em Setembro de 2008, quando nesta mesma igreja assumi a reitoria do Santuário de Fátima, estava bem longe de imaginar que passado este tempo, aqui estivesse nestas circunstâncias”, confessou D. Virgílio Antunes. O prelado disse ter seguido “a voz da Igreja” pela obediência que lhe deve e recordou o momento em que soube que iria ser bispo.
“Quando o senhor Núncio Apostólico me informou da decisão do Santo Padre me nomear bispo de Coimbra, tive a tentação de pensar se era uma boa ou má opção, se o momento seria oportuno, se não deveria continuar a desenvolver os projectos em curso no Santuário”, admitiu. Mas num dia de festa na igreja da Santíssima Trindade, que pela primeira vez acolheu uma ordenação episcopal, D. Virgílio Antunes quis reafirmar a sua “comunhão” com a Igreja Católica e a “disponibilidade para cooperar com ela na realização da sua missão de sacramento de salvação universal”. “Ao Papa Bento XVI manifesto a grande alegria que me confere a graça de poder colaborar com ele, de forma mais próxima, na tarefa de servir a missão de Cristo Pastor”, prosseguiu.
O novo bispo anunciou que “a partir da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios (1, 23-24)”, escolheu como lema episcopal a frase: “Anunciamos Cristo crucificado, sabedoria de Deus”. “Significa que procuro centrar-me na pessoa de Jesus Cristo, cujo significado só se pode entender a partir da cruz como caminho de ressurreição e da glória”, precisou.
O prelado dirigiu-se ainda à diocese de Coimbra, mostrando-se disponível para ir ao seu encontro “com a confiança e a esperança fundadas em Cristo”. “Gostaria de chegar ao meio de vós como um amigo e como um irmão que comunga das vossas alegrias e tristezas, que acolhe e é acolhido na simplicidade, e que vos confirma na fé enquanto porção do Povo de Deus”, revelou.
No próximo dia 10 de Julho, sucedendo a D. Albino Cleto, D. Virgílio Antunes vai entrar solenemente na diocese de Coimbra, numa celebração marcada para a Sé Nova, pelas 16h30.
Ecclesia / CV
Beleza e responsabilidade do ministério episcopal
Presidindo a ordenação episcopal, o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, disse que o exercício e os símbolos do governo na Igreja recusam “uma interpretação meramente sociológica” de “honra, poder, prestígio, privilégio, sucesso”.
“Um bispo oferece o coração, a mente, a acção, a paciência e o sofrimento por todos os que lhe são confiados”, disse o prelado, na missa de ordenação episcopal do anterior reitor do Santuário de Fátima, D. Virgílio Antunes.
D. António Marto optou por meditar sobre “a beleza do ministério episcopal e a responsabilidade que o acompanha”, examinando “os símbolos da liturgia da ordenação”. “O bispo leva no coração, nos olhos e nos lábios a beleza de Deus-Amor”, observou, “um Deus que se faz próximo, abrindo horizontes novos de salvação e pedindo colaboração para uma missão precisa a desempenhar em Seu nome, no mundo”.
Falando directamente para D. Virgílio Antunes, o presidente da celebração pediu que seja “bispo contemplativo do mistério da intimidade do Deus Santo” e “bispo com coração de pai, muito humano e compreensivo, de coração universal, aberto a todos de dentro e fora da Igreja”.
