Governador civil faz balanço positivo na hora do adeus

José Mota, último governador civil de Aveiro, diz ter “consciência plena do dever cumprido” e dá nota de um lucro de 300 mil euros.

Na sequência da sua comunicação ao novo ministro da Administração Interna e da decisão tomada pelo Conselho de Ministros de 27 de Junho, José Mota bem como os restantes 17 governadores civis deixam os seus cargos, os quais segundo o novo governo, serão agora extintos.

José Mota, em missiva dirigida às entidades e instituições distritais com quem o Governo Civil trabalhou de forma mais próxima, referiu que “durante o tempo em que foi chamado ao desempenho desta missão” procurou “dar sempre” o seu melhor e “fazer o que melhor sabia em prol da defesa dos interesses do distrito, das suas instituições e dos seus cidadãos”. O balanço da sua missão, considera, “é francamente positivo”.

“O apoio e acompanhamento prestados, nomeadamente nas áreas da protecção civil, da segurança pública, da segurança rodoviária, bem como o apoio ao movimento associativo distrital ou assunção das representações do governo central na área do distrito, a par dos serviços administrativos prestados por este organismo, permitem-nos olhar para este mais de ano e meio de trabalho com orgulho e com a consciência de que muito foi feito e conseguido”, refere José Mota.

O último governador civil de Aveiro não deixa de recordar os mais de 175 anos da instituição com algum lamento: “O novo governo decidiu pôr fim aos governos civis, organismos com mais de 175 anos que resistiram a momentos de profundas mudanças na história de Portugal. Criados em plena monarquia, resistiram às reformas decorrentes da revolução republicana de 5 de Outubro, à 1.ª República, ao regime fascista do Estado Novo, ao 25 de Abril e, por fim, a estes nossos 37 anos de democracia”, para agora terminarem às mãos do novo governo.

José Mota refere ainda que deixa o cargo “na consciência plena do dever cumprido” e com proveitos para o Estado. “Para além de todos os serviços prestados, deixamos, no caso concreto do Governo Civil de Aveiro, um lucro anual de mais de 300 mil euros para o Estado”, afirma.

Por fim, adianta que do ponto de vista pessoal “foi extraordinariamente gratificante e um enorme prazer” ter desempenhado a “função de representante do Governo” e de, com isso, “ter podido contribuir para um distrito melhor e um Portugal melhor”.

Mais ocorrências, mas menos área ardida

no distrito de Aveiro

Os resultados analisados na reunião da protecção civil do dia 29 de Junho, a última presidida pelo governador civil José Mota, demonstraram que, apesar do aumento das ocorrências (um maior número de início de incêndios), registou-se uma diminuição da área ardida em comparação com os dados dos últimos anos.

“Este facto revela que os meios da protecção civil no terreno, nomeadamente os bombeiros e a coordenação efectuada, têm sido de grande eficácia, não permitindo que as ignições registadas resultem em incêndios, sobretudo em incêndios florestais”, lê-se numa nota do Governo Civil.

José Mota atribui este facto à “excelente coordenação e entendimento que tem existido entre todos os agentes da protecção civil no distrito para além do facto de “os bombeiros estarem hoje muito melhor equipados”, graças também “ao apoio do Governo Civil” na aquisição de equipamentos de protecção.

José Mota aproveitou a ocasião para deixar uma palavra de alento ao Comandante Operacional Distrital e a todos os que compõem o núcleo duro da protecção civil aveirense, desejando que “a ausência do Governo Civil” não coloque em causa a capacidade operacional que o CDOS (Comando Distrital de Operações de Socorro) e os bombeiros têm revelado.