Questões Sociais Com base na experiência secular e nas orientações doutrinárias, poderá afirmar-se que a acção social da Igreja (ASI) é «o conjunto de «actividades», e dos respectivos serviços, «destinadas à solução dos problemas sociais, com base na caridade e visando o desenvolvimento integral, que atinge a sua plenitude na bem-aventurança eterna (cfr. Núcleo de Diálogo Social (NDS), «Acção Social na Paróquia – Testemunhos, reflexões e propostas», Paulinas Editora, Prior Velho, 2010, pp. 105-106). Ela prossegue três objectivos fundamentais: «o serviço directo, particularmente a pessoas mais necessitadas; a humanização das estruturas sociopolíticas, para que estejam efectivamente ao serviço do bem comum e de cada pessoa; e a participação em processos de desenvolvimento» (ibidem, p. 106).
A ASI não se reduz às suas instituições e respectivas actividades, nem se confunde com a acção desenvolvida pelo Estado ou por outras entidades («Deus Caritas Est», nº. 31). A sua identidade encontra-se no exercício da caridade; e esta, em termos sociais, poderá definir-se como a dedicação radical a outrem, ao bem comum e ao bem universal. Por este motivo, a ASI é sempre necessária, «mesmo na sociedade mais justa» (ibidem, nº. 28-b); ela participa «na luta pela justiça» (nº. 28-a), mas vai para além disso (nºs. 28-a) e b) e 31). Por tal motivo, poderá não se desenvolver convenientemente, mesmo que disponha de todas as respostas sociais; e poderá desenvolver-se bem, mesmo que disponha de poucas ou nenhumas: Com efeito, o espírito animador da acção é mais específico do que a acção em si mesma.
Daqui decorrem duas consequências: É necessário que a ASI integre não só instituições mas também grupos, movimentos e a acção familiar e individual, para ser universal (NDS, pp. 109-112); por outro lado, é também necessário que as instituições se caracterizem não só por aquilo que fazem mas também, e especificamente, pelo espírito que as norteia. Este espírito deverá expressar-se em vários aspectos, como por exemplo: O humanismo e a participação no interior da instituição; a abertura a todos os problemas locais; o acolhimento de todas as pessoas carenciadas; a parceria fraterna com todas as entidades públicas ou privadas; a cooperação fraterna com todas as pessoas carenciadas, particularmente quando não existem soluções satisfatórias para os seus probelmas… (cf. NDS, pp. 111-112).
