Menos deputados? Nem pensar

Uma pedrada por semana Com menos deputados como vão os partidos políticos pagar favores? Como vão alguns novos, sem valor conhecido, mas bem apadrinhados, iniciar uma carreira com futuro? Como vão alguns grandes dormir descansados, ante quem sabe de mais e a quem é preciso pôr um açaimo dourado?

O bom senso, a honestidade, o pudor, a vergonha, são bens cada vez mais raros. O que ontem se negou, hoje defende-se calorosamente. O que ontem se defendeu, hoje nega-se com igual vigor. Fecham-se os olhos à realidade, mesmo quando ela entra pelos olhos dentro. A verdade, sempre incómoda no clube dos mentirosos, é contraditada, a torto e a direito. As pessoas tornam-se coisas que só valem segundo os interesses de outros.

Crise? Só para alguns, os mais débeis. Os mais poderosos cavalgam nela.

Os milhões dos heróis do futebol não entram nas contas. A gente que se atordoa no passageiro não olha ao preço do espectáculo… O que é preciso é que as multidões se divirtam… Às portas do Banco Alimentar contra a Fome bate cada vez mais gente. Mas isso que interessa se sempre houve e haverá pobres?

Pão, água, electricidade, gasolina, transportes para o trabalho, necessidades na saúde são os bombos da festa. Tudo fácil para quem tem tudo. Quem não tem, que aguente…

A reacção à proposta de “menos deputados” é o sintoma eloquente de uma sociedade, que não é de todos, nem olha para todos, por igual. É esta a sociedade que temos. Não a que desejamos e queremos.