Liberdade

A liberdade não é um caminho linear, muito menos um caminho fácil e ainda menos construído sobre interesses egoístas e mesquinhos. É que a nossa condição de seres livres, assim criados por Deus, realiza-se no protagonismo da busca da verdade e do bem – como nos diz o Papa – como pessoas responsáveis e não executores cegos.

E a liberdade em Educação, afinal o gérmen, o espaço de desenvolvimento da própria liberdade, torna-se objecto de disputas, de exigências. Umas legítimas e enquadradas em projectos personalistas de construção de cidadãos livres, de corpo são e alma sã, de relações sociais harmoniosas… Outras incolores e geradoras de cidadãos passivos, inertes, abúlicos e alheados de uma cidadania activa. Outras porventura economicistas e mercantilistas, cujo “produto final” será uma multidão de peças de um mecanismo mundial de inumanidade, engrenados num anonimato “vampírico”, que não hesitará em saciar as suas ambições com o sangue dos seus irmãos.

Ao iniciar-se um novo ano lectivo, num período de transição de propostas políticas, num clima de muitas coisas provisórias, de muitas incertezas, de urgência de conversão de mentalidade consumista e egoísta, pessoal ou corporativista, em hábitos de sobriedade e solidariedade, este caminho de vivência e educação em liberdade e para a liberdade, o desenho de uma liberdade de Educação, reclama de todos transparência e diálogo, apego e mãos dadas em prol do interesse nacional e de um futuro de esperança.

E reclama a convergência de esforço de todos: das famílias, das escolas, das entidades governativas, das organizações da sociedade civil, confessionais ou outras. É evidente que as “revoluções” educativas têm os seus custos sociais. Mas é precisamente aí que os “parceiros” se devem concertar, para que as mudanças tenham um custo e um proveito partilhados.

Tanto mais quanto o País atravessa uma grave situação financeira. A reconstrução de um serviço público de Educação, de equidade e excelência, implicará sacrifícios de todos, a começar pelos próprios educandos, que não poderão continuar a viver a escola como um tempo de lazer. Mas as famílias são também chamadas a rever os seus hábitos educativos: a educação começa em casa, pela verdade, pelo diálogo, pelo trabalho, pela exigência. E os agentes das comunidades escolares são servidores da Educação! As escolas não existem para servir os seus trabalhadores; existem para servir os estudantes, nessa perspectiva nobre da liberdade. Mas com o respeito pela missão dos agentes educativos das escolas.

O Estado apoia, garante a normalidade e coordenação de todas as iniciativas e agentes educativos, proporcionando-lhes empenho e liberdade, e não dirigindo – pior, ditando – todos os procedimentos, dos máximos aos mínimos.

E este tempo que vivemos é um momento de crise, isto é, de joeirar e estremar estruturas e procedimentos que sirvam, de verdade, a Educação em liberdade. Coragem!… para se fazer este serviço de joeirar e estremar!