Marcas de mercado

Ponta de Lança O regresso, depois de um Verão silenciado, faz-nos retrospectivar sobre o efémero, sobre tudo quanto desejámos e como foi rápido o eclipse dessa esperança.

Maio poderá ser, depende da boa vontade de cada um, um mês de sonhos no nosso recanto solarengo. Maio chama à vida, a primavera está grandiosa, aproximam-se as férias – sem qualquer compromisso de haver ou não!

E depois tudo passa muito rápido. Os dias são “maiores” e mesmo assim gastam-se depressa.

E voltaríamos aos nove meses de gestação, de esperanças!

Voltaríamos, sim, porque este ano não vai ser como os outros. Qualquer exercício de vida custa muito mais do que custou até agora. Estamos ao sabor do mercado.

Culpados em julgamento sumário, por juiz chamado Mercado, temos de pagar tudo. Resta-nos viver, não como condenados mas como pessoas livres que reservam para si valores intemporais.

O mercado da habitação exige mais.

O mercado dos legumes e frutas requer produtos nacionais, que deixámos de cultivar.

O mercado financeiro é livre, regula-se a ele próprio, asfixia.

O mercado de trabalho está paralisado.

O mercado dos combustíveis,

O mercado de qualquer coisa está impossível de saciar!

O mercado, tudo é mercado…

O que fica, para dar um ar de alguma graça a isto?

Fica o mercado de transferências, que finalmente fecha para que a “alegria” do povo, o futebol, levante alguma auto-estima à nação.

E, para encerrar o dia, o Mercado do Peixe (também conhecido por Praça do Peixe).

Com tantas marcas de mercado, a concorrência não se nota.

Melhor será reinventar novos caminhos, novas saídas, novas energias.

Desportivamente…

… pelo desporto!