Comunidade Foi com profunda surpresa e imensa tristeza que recebi a notícia da morte do senhor Padre João Paulo Ramos. E foi através do Correio do Vouga, de que ele foi digno administrador.
Tive a felicidade de ser seu aluno desde os meus doze anos de idade. No Seminário, foi professor de Português e Matemática. Professor competente e prefeito do seminário tão exigente, como compreensivo e amigo. Eu e os meus colegas daquele tempo aprendemos muito com o Padre João Paulo.
Tive também a felicidade de o acompanhar ao longo da sua longa vida. Na altura em que não havia aparelhagem sonora, quando o Padre João Paulo subia ao púlpito para pregar, função para a qual era constantemente solicitado, com um dom de palavra espectacular (nunca vital), arrebatava multidões.
Comigo teve alguns desabafos e um deles foi este que nunca mais esqueci:
“O maior desgosto da minha vida de padre foi terem demolido a capela onde fui ordenado padre por D. João Evangelista de Lima Vidal”. Era a capela que existia no “Seminário Velho”, ali bem perto do Governo Civil, em frente ao Parque Infante D. Pedro.
Em todos os encontros da ADASA (Associação dos Antigos Alunos do Seminário de Aveiro), foi sempre um companheiro inseparável. Acompanhou-nos até ao fim. Com ele também aprendi a rezar.
A tristeza de o termos perdido é compensada pela alegria de com ele termos convivido.
A minha homenagem e gratidão ao Padre João Paulo fica expressa neste hino à vida cantado pelo Padre Leocir Pessimi:
Dar tempo ao tempo 0
para aceitar a morte
Dar tempo ao tempo
para deixar partir
Dar tempo ao tempo
para tomar decisões
Dar tempo ao tempo
para compartilhar
Dar tempo ao tempo
para acreditar
Dar tempo ao tempo
para perdoar
Dar tempo ao tempo
para se sentir bem consigo mesmo
Dar tempo ao tempo
para criar novos amigos
Dar tempo ao tempo para rir
Dar tempo ao tempo
para amar.
Basílio de Oliveira,
Vagos
