Rumo seguro

O País necessita de verdade, realismo, sensatez e trabalho, para recuperar a esperança, para relançar o gosto de uma vida activa e solidária. Não há outro caminho para devolver às pessoas o sentido da sua dignidade, a convicção da sua capacidade e responsabilidade na construção do bem comum.

Pão e circo é, desde sempre, o segredo da alienação do povo. De múltiplas formas, desde as arenas às “casas de segredos”. O poder sempre descobriu ou deu passagem a truques que distraiam as gentes dos grandes problemas.

Isso mesmo! Quando vivemos num emaranhado de segredos e mistérios, que nos surpreendem em cada dia, que oneram a cada instante o titânico esforço de sair da crise, em vez de se desenvolverem programas de educação para o trabalho e para a verdade, mais de um milhão de portugueses prende-se a um jogo de facilidade, de fingimento, de segredo e de mentira, de sonhos e ilusões, procurado por dezenas de milhares de cidadãos, com uma selecção final de “ídolos” cujos objectivos de vida não são propriamente propostas de dignificação da pessoa humana nem de empenho decidido e solidário em busca de futuro.

Por que razão hão-de os pobres suportar os excessivos cortes, que chegam a atingir o essencial da vida, enquanto se esbanja descaradamente, quer em projectos megalómanos, quer em espectáculos de milhões, quer em negócios subterrâneos milionários?… Não há uma autoridade defensora do bem comum que possa entrar nesses mundos e impor regras que respeitem e eduquem para o bem da Comunidade nacional?…

É evidente que nunca foram as grandes fortunas que fizeram as obras de relevo. Foram sempre as migalhas do povo que encheram os celeiros do reino; foi sempre a força do homem comum que ergueu as obras de vulto; foi sempre a solidariedade do povo que encontrou saídas para as crises, económicas, sociais e políticas.

Os tempos mudaram. Teoricamente passou o tempo das ditaduras e tiranias; a democracia apregoa-se como a maior conquista da modernidade… Mas a delegação de poderes não acerta senão raras vezes em pessoas honestamente decididas a servir, em vez de se servirem do mandato confiado.

Começam a escassear as oportunidades para se encontrar um rumo seguro de esperança. E uma das pistas será comprometer todos os intervenientes educativos – meios de comunicação social, famílias, organizações cívicas e religiosas, escolas… – em sinergias que desagúem em propostas de valores nobres. E o tempo para isso é sempre menor do que pensamos!