“Enquanto viver hei-de cá vir”

São Gonçalinho Embora o tempo nem sempre tenha sido o melhor para actividades ao ar livre, deverão ter sido lançadas dez toneladas de cavacas no S. Gonçalinho 2011, como disse a este jornal o chefe dos mordomos, João Moreira.

No sábado à tarde, dia 8, havia filas para subir ao alto da Capela de São Gonçalinho. João Soares, de Aveiro, lançou 20 quilos somente “por tradição”. Filomena Gomes, também de Aveiro, lançou cinco quilos “por motivos pessoais”. Já Sanico Breda, de Aveiro, juntou à tradição outros dois motivos para atirar 20 quilos de cavacas: “Porque o São Gonçalinho é o patrono da minha filha e pelo nascimento do filho de uma colega de trabalho, após vários abortos”.

E o que motiva quem apanha cavacas? Fernando Manuel Vidal, de Vale de Ílhavo, apanha-as “para fazer ginástica” e para as repartir pela família e pelo Lar de S. José (Ílhavo). É o terceiro ano que apanha cavacas, esperando encher três ou quatro sacos de 50 litros. Arménio Mirco, de Cacia, “reformado da celulose”, apanha-as para a sua família e para “dar aos vizinhos”, só de dia, porque “à noite é mais difícil”, mas marca presença todos os dias da festa. “Enquanto viver hei-de cá vir, porque estive muito doente e agora agradeço ao São Gonçalinho”, justifica, acrescentando com orgulho que no ano passado apareceu na RTP. Margarida, de Bragança, tornou-se apanhadora de cavacas por acaso. Passando o fim-de-semana em Aveiro, resolveu ir à festa e ficou espantada com os costumes “fora do normal”. Não resistiu e, no fundo do seu guarda-chuva já repousavam quatro ou cinco cavacas.

A festa durou cinco dias, de 6 a 10 de Janeiro. A mordomia deste ano vai continuar a missão até à festa de 2012. “Se este ano tínhamos como objectivo renovar a capela [o que foi alcançado com um investimento de cerca de 150 mil euros], no próximo queremos comemorar os 750 anos da morte de S. Gonçalinho”, disse João Moreira ao Correio do Vouga. S. Gonçalo de Amarante morreu no dia 10 de Janeiro de 1262. Ainda não se sabe como serão as comemorações, mas João Moreira promete “algo de novo, diferente”, para juntar à tradição que todos querem manter.

J.P.F.