Circunstâncias
Estádio Municipal de Aveiro; sábado, 22 de Outubro de 2011; Beira-Mar 0 – Benfica 1 (Cardozo 42’) Árbitro: Paulo Baptista (AF Portalegre); cerca de 18.000 espectadores.
No aproveitar
é que está o ganho…
O Benfica impôs a segunda derrota caseira do Beira-Mar na Liga Zon Sagres. A vitória dos encarnados acaba por ser algo injusta, tendo em conta aquilo que ambas as equipas produziram durante o jogo, mas como no aproveitar é que está o ganho, as águias procuraram a felicidade e tiveram-na na obtenção do golo que lhes daria a vitória, em contraponto com a infelicidade dos homens de Aveiro na hora de finalizar.
Início quente
As duas equipas entraram bastante determinadas em campo, com o objectivo de resolver cedo o jogo, proporcionando um início quente e animado a todos aqueles que, diga-se, em grande número, se deslocaram ao estádio de Aveiro para assistir a este duelo entre aveirenses e lisboetas ou, se preferirem, respectivamente entre a melhor defesa do campeonato e o melhor ataque. Ao longo da primeira parte, as oportunidades de perigo foram-se dividindo entre as duas balizas, jogando-se sempre em clima de parada e resposta. No entanto, pertenceram ao Beira-Mar as oportunidades mais flagrantes para chegar ao golo, tendo sido uma vez mais desperdiçadas por infelicidade ou nervosismo patenteados pelos homens vestidos de amarelo e preto na hora de chutar para o fundo das redes adversárias.
Momento do Jogo
À passagem do minuto 42, aconteceu o lance que decidiria a partida. Após as dificuldades que o Benfica vinha a sentir para desbloquear a defesa menos batida do campeonato, estes contaram com um “brinde” do guarda-redes aveirense que, num lance aparentemente inofensivo e fácil de resolver, foi traído pela trajectória da bola, que depois de aliviada por ele deu uma grande carambola no ar, caindo, em seguida, na cabeça de Cardozo que, sem dificuldade a cabeceou para a baliza deserta do Beira-Mar, inaugurando assim o marcador, com um misto de sorte e oportunismo à mistura.
Apresentações ao intervalo
O atletismo está de volta a Aveiro e nomeadamente ao Beira-Mar, na medida em que, após oficializar na semana passada o reinício de actividade da sua secção da modalidade, numa parceria com a Universidade de Aveiro, o clube aveirense, apresentou, no intervalo do jogo com o Benfica, a sua primeira atleta, Sónia Tavares, que é nem mais nem menos que a melhor velocista portuguesa da actualidade, especialista nos 100 e nos 200 metros. Esta confessou aos adeptos, num comunicado publicado no site remodelado do clube, estar “muito feliz”. “A melhor maneira de poder retribuir é conquistar o maior número possível de títulos. Quero que o Beira-Mar tenha a melhor atleta nacional”, assumiu a velocista, focada no apuramento para os Jogos Olímpicos de Londres (2012).
Grande luta e carácter
não recompensados
Na segunda parte, os aveirenses voltaram a entrar muito bem em jogo, demonstrando igualmente grande luta e carácter na procura de inverter o rumo da partida, só que, como equipa experiente que é, o Benfica, após ter refrescado o seu meio-campo, segurou o golo de vantagem que trazia da primeira parte, ameaçando de quando em vez a baliza à guarda de Rui Rego, que, após aquela “oferta” na primeira parte, se mostrou sempre seguro na defesa das suas redes. Já perto do final da partida, tal como aconteceu na primeira parte, o Beira-Mar podia ter chegado ao golo do empate. Mais uma vez valeu Artur Moraes, guarda-redes encarnado, fazendo na perfeição a “mancha” a remate de Serginho. Posto isto, chegou-se ao final da partida e o resultado que vinha do intervalo não sofreria então alterações, levando, dessa forma, o Benfica os três pontos para sua casa e deixando o Beira-Mar numa situação incómoda, porque tendo em linha de conta o futebol produzido e a organização da equipa, os resultados apresentados nos últimos jogos não espelham minimamente aquilo que os aveirenses demonstram em campo. Temos visto uma equipa combativa, organizada e determinada que só não dá a volta a esta fase menos boa por pura infelicidade ou nervosismo. O jejum já vai longo, na hora de fazer o golo.
João Paião
