P.e Tomás Afonso conta a sua vida em verso

O meu navegar no mar da vida

Padre Tomás Marques Afonso

Edição de autor

192 páginas

Em versos de dez sílabos, ao longo de quase duas centenas de páginas, o P.e Tomás Afonso relata 75 anos de vida e 50 de sacerdócio

No Prólogo de “O meu navegar no mar da vida”, o autor confessa: “Nunca na vida passou pela minha mente escrever um livro, mas o encontro com os amigos que me incitaram a publicar algo sobre os trinta anos dedicados ao apostolado castrense, como Capelão Militar, levou-me a decidir, e aqui estou para satisfazer a sua vontade, aproveitando a coincidência de estarmos a iniciar o Ano Sacerdotal, publicando, de uma maneira salteada, acções, qualidades, partidas, peripécias, divertimentos, reparos, vivências, humorismo, alpinismo, desporto, etc., etc., não em prosa, mas em verso de decassílabos, desde menino de escola primária até aos meus 75 anos e ao meu Jubileu Sacerdotal (bodas de ouro)”.

Temos, portanto, uma autobiografia do P.e Tomás Marques Afonso (nascido em Beduído, a 6 de Janeiro de 1934 e ordenado no dia 19 de Julho de 1959) em versos de dez sílabas. E, diga-se, o autor cumpre o que promete. Conta-nos a sua vida de fé e compromisso na Igreja, ao serviço na Defesa Nacional (Guiné, Moçambique, Angola, Santa Margarida, Elvas, etc.) e em paróquias da Diocese de Aveiro como a Gafanha da Nazaré, Couto de Esteves, Rocas do Vouga, Vila Nova de Monsarros (Anadia), noutras da Diocese de Évora e actualmente em Veiros (Estarreja), sem se esquecer das peripécias e do humor.

Os exemplos abundam.

Na escola primária:

Eu e o meu parente Joaquim Mouco,

Na hora do intervalo p’ra almoçar,

Embora o tempo fosse muito pouco,

Íamos p’rós muros sardões matar.

Brincando com a caçadeira do avô:

Meu avô tinha uma arma de caça

No quarto, junto à sua cozinha.

Ia eu provocando uma desgraça,

Ao tentar saber se cartuchos tinha.

No seminário de Aveiro, quando o professor desconfiava das boas notas do aluno:

Nos testes escritos, junto a mim ficava,

Observando o meu comportamento,

Porque tinha em mente que eu copiava,

Não tendo razão o seu pensamento.

Verificando que eu não copiava,

Surgiu-lhe a seguinte interrogação:

Se te emudeces quando te chamava,

Por que tens boa classificação?

Uma vida de 50 anos de padre encerra milhentas histórias, quase ao acaso apontamos esta, na paróquia eborense de Cabrela, em que o autor fez o recenseamento à população e consertou o relógio da igreja:

Cabrela foi por mim recenseada

As casa uma a uma percorrendo.

Conheci o povo e a sua morada,

E aqueles que iam na cama gemendo.

(…) O relógio da torre, parado.

Há muitos anos horas não tocava.

Limpei-o, porque estava enferrujado.

Montei-o peça por peça como estava.

(…) Quando para Elvas fui nomeado,

Todo o povo descontente ficou.

Cabrela fez um abaixo-assinado

Com dez folhas, mas nada resultou.

No poema mais extenso, “Amar é”, P.e Tomás apresenta, no fundo, o seu credo existencial:

(Amar é…)

Filtrar o coração de todo o mal,

Segredar o seu íntimo a Deus,

Abrir a sua alma de maneira tal

Que viva já a alegria dos Céus.

(…) Ter asas para um voar constante.

Subir, subir p’ró alto sem parar;

Não separar-se de Deus um instante,

Nem os homens da terra abandonar.

O livro é enriquecido com fotografias, louvores e condecorações militares e a transcrição e tradução do latim de uma “Carta de Armas” do imperador austro-húngaro Maximiliano II (séc. XVI).

Esta obra foi apresentada publicamente no dia 14 de Maio, na Biblioteca Municipal de Estarreja.

Quem conhece o P.e Tomás gostará de ler este livro por nele ver reflectidas a generosidade, a paixão e a sinceridade do autor. Quem não o conhece pode sempre apreciar o exemplo edificante de uma vida dedicada ao serviço da Igreja e das suas comunidades.