Livro sobre José Ferreira da Cunha e Sousa

Vivendo quase 100 anos, José Ferreira da Cunha e Sousa foi governador civil em vários distritos, historiador, fundador da actual Banda Filarmónica Gafanhense.

O historiador aveirense Amaro Neves acaba de resgatar do esquecimento mais um ilustre aveirense, com a publicação do livro “Conselheiro José Ferreira da Cunha e Sousa (1813 – 1912) – Insigne aveirense. Homem de bem”, obras apresentada no final das Jornadas de história Local – Património Documental Aveirense 2011, realizada na Biblioteca Municipal de Aveiro, por iniciativa da Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro (ADERAV).

José Ferreira da Cunha e Sousa nasceu em Ílhavo, tendo aí vivido cerca de quarenta anos, mudando-se depois para Aveiro, tendo também residido em diversas terras devido aos vários cargos que desempenhou “a nível nacional”, nos governos civis de vários distritos. “Desenvolveu uma actividade notável, tanto no campo da cultura, nomeadamente na museologia, como nos cargos públicos, sobretudo em Santarém onde deixou uma marca espantosa e inovadora na museologia industrial”, revelou Amaro Neves na apresentação do livro.

Para além do seu conhecido trabalho de investigação histórica “Memórias de Aveiro no século XIX”, datado de 1908 e publicado no volume VI (1940) da revista “Arquivo do Distrito de Aveiro”, Amaro Neves realça que José Ferreira da Cunha e Silva “deixou muitos outros levantamentos e interacção, sobretudo junto das instituições de solidariedade, religiosas e económicas”. “Ele teve uma acção extraordinária ao nível do que Aveiro tinha de melhor nessa época”, acrescenta.

Muita da documentação que serviu de base para o trabalho biográfico realizado por Amaro Neves, alguma da qual está reproduzida no livro, foi adquirida pelo próprio historiador em Viana do Castelo. “Não sei porque razões, foi parar essa documentação [a Viana do Castelo]”, disse o biógrafo, mostrando-se disponível para “entregar essa documentação a quem a possa estudar e estimar”. Observou, por outro lado, com mágoa, que “pensava que em Ílhavo houvesse um outro respeito e uma outra memória por este ilhavense, o mesmo acontecendo aqui em Aveiro”.

Cardoso Ferreira