“Revisitar a memória é sinal de esperança e de renovado futuro”, disse D. António Francisco dos Santos no encerramento do dia 11 de Dezembro, que inaugurou numa comunidade viva as celebrações do Jubileu Paroquial de Nossa Senhora de Fátima (Aveiro).
A Paróquia uniu-se e reuniu em torno da sua padroeira e, como que num despertar de sinergias, congregou, à sua escala, uma multidão de pessoas, entidades, instituições, autarcas locais, o presidente da Câmara Municipal. Ressurgiu na fé e na comunhão de diversidades.
A celebração da Eucaristia, presidida pelo Bispo de Aveiro, foi dinâmica, participada por todos os grupos paroquiais e instituições. A Junta de Freguesia esteve representada pelos seus mais altos dignatários. Presente também, entre os vários convidados de fora da paróquia, o Dr. Girão Pereira, ex-presidente da Câmara. Tomou posse o reestruturado Conselho Económico e, entre os pontos mais altos do dia, ao ofertório, em sinal de esperança no futuro, foi depositada uma oliveira, “ sinal de vida e de paz”, para ser plantada no adro evocando os 50 anos da Paróquia.
Do final da celebração, já com a presença do Dr. Élio Maia, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, destaca-se a inauguração de uma exposição de registos (de vários tipos: fotos, textos, publicações, alfaias,…) e a intitulação do antigo salão da Igreja como “Sala P.e Artur” – homenagem ao primeiro pároco e grande obreiro da paróquia.
Seguiu-se o descerramento da placa evocativa do dia, à porta da Igreja, e, no Salão Polivalente da Junta, um almoço de confraternização e evocação dos cinquenta anos.
Numa sala apinhada de pessoas, entre imagens e discurso rigoroso de pesquisa histórica, foram variadíssimos os momentos entrecortados pelo aplauso e pela emoção. Também o património cultural de N.ª S.ª de Fátima foi simbólica e sentidamente evocado, num poema inédito sobre o percurso destes lugares a sul do concelho de Aveiro.
O dia era de festa e isso foi manifesto também na animação musical emprestada pelo Grupo de Gaitas de S. Bernardo.
Dos discursos de encerramento da sessão e almoço, merecem ser realçados os sinais de convergência para o sentido de pertença, de família, de comunhão e de esperança que, quer o Dr. Girão Pereira, “ relembrando este chão percorrido com o P.e Artur e presidentes da Junta de então”, quer o presidente da Junta de Freguesia, assim como e o P.e José Manuel Pereira, actual pároco, destacaram.
O presidente da Câmara Municipal de Aveiro acentuou os valores da “partilha, da gratidão, consolidação e desafio”. Destacando como esta comunidade foi construída, “sem que uma só casa – citando de memória o P.e Artur – deixasse de contribuir”, manifestou o agraciamento pelo dia tão importante para a paróquia mas igualmente para o município; enalteceu a faculdade, da Igreja, na consolidação social; e interpelou à união “em torno das questões que serão colocadas, a estas comunidades, com a reforma administrativa em curso”.
Na última intervenção, D. António Francisco quis sublinhar o sinal de esperança que N.ª S.ª de Fátima deu ao seu Bispo, na organização e na vontade de celebrar condignamente este dia, mas conjuntamente os exemplos que lega de amor à Igreja, de serenidade, na memória que aponta para o futuro.
As palavras do Bispo de Aveiro expressaram repetidamente a alegria pelo dia, pelos fundamentos da comunidade, mas também a gratidão pelo carinho dado a quem há muito “queria profundamente viver este dia convosco!” E salientou ainda “o clima humano, comunitário e cristão que se consegue fazer renascer. Viver esse dia na alegria, na memória, na gratidão e na esperança de um futuro renovado, depois de tantos silêncios sofridos e dificuldades vividas só com o bem aqui semeado ao longo de tantos anos pelo Padre Artur”. Na evocação dos mesmos mais marcantes da história, “impressionou-me o silêncio feito e as lágrimas sentidas”, disse o Bispo de Aveiro.
Nossa Senhora de Fátima continuará a sua construção, não faltam motivos. Porém, merece ser salientada o recobrar da esperança; a comunhão à volta do seu Bispo e do seu pároco; um convicto regresso à “casa da Igreja”.
M.O.S.
