«Alegra-te, pois, por ti, nos cobrimos de glória»

Com o Menino em seu seio, Maria dirigiu-se à pressa para casa de sua prima Isabel. Ao ouvir a saudação de Maria, logo o menino se regozijou, saltando de alegria como que para cantar à Mãe de Deus:

Alegra-te, tu que és botão da flor imortal

Alegra-te, tu que és pomar de onde brota o fruto de vida

Alegra-te, jardim do Senhor, amigo dos homens

Alegra-te, gérmen do crescimento da vida

Alegra-te, tu que és campo onde se produz a abundância da redenção

Alegra-te, mesa santa da reconciliação para o pecado

Alegra-te, tu que nos cultivas um jardim de beleza

Alegra-te, tu que preparas, para a nossa alma, um refúgio de paz

Alegra-te, que és incenso de oferenda agradável a Deus

Alegra-te, pois que em ti o universo inteiro encontra reconciliação

Alegra-te, tu que és graça de Deus para todos os homens

Alegra-te, advogada nossa junto do Senhor

Alegra-te, Esposa não desposada.

Ficou o prudente José em extrema perturbação, com a alma sacudida por uma tempestade de pensamentos: ele, que era conhecedor da tua virgindade, agora duvidava de ti, ó mãe imaculada. Mas, quando soube que O que tivera sido gerado em ti provinha do Espírito Santo, exclamou: «Aleluia, aleluia, aleluia».

Quando os pastores ouviram os anjos cantar a incarnação de Cristo, correram para junto do seu Bom Pastor, a contemplar o Cordeiro recém-nascido no colo de Maria. Exultaram, cantando:

Alegra-te, mãe do Cordeiro e do Bom Pastor

Alegra-te, redil onde as ovelhas se reúnem

Alegra-te, protecção contra os lobos que as arrebatam

Alegra-te, pois tu abres as portas do paraíso

Alegra-te, pois os céus rejubilam com a terra

Alegra-te, pois os homens exultam com os anjos

Alegra.te, pois tu dás segurança à palavra dos apóstolos

Alegra-te, pois tu dás força ao testemunho dos mártires

Alegra-te, coluna firme que nos seguras a fé

Alegra-te, pois tu conheces o esplendor da graça

Alegra-te, pois que por ti os infernos se esvaziaram

Alegra-te, pois, por ti, nos cobrimos de glória

Alegra-te, Esposa não desposada.

Quando contemplamos este singular nascimento, sentimo-nos estranhos no mundo habitual e o espírito volta-se para as realidades do alto, porque foi descendo aqui, humilhando-Se, que o Altíssimo Se revelou aos homens, para elevar todos os que Lhe cantam: «Aleluia, aleluia, aleluia».

Da liturgia bizantina. Hino à Mãe de Deus (séc. VII)