Precisa-se de uma mãe

Olhos na Rua Uma mãe, para ser tempero de amor e de afecto, junto dos doentes incuráveis do Calvário. O responsável dos Padres da Rua traça-lhe o perfil. Escreve assim no último “O Gaiato”: “Como toda a família, também o Calvário precisa de uma mãe: Uma mãe que ame e não tenha medo de se dar. Nem se deixe enganar pela voz do mundo que põe a sua confianças nas suas capacidades, e não no poder Providencial de Deus. Que ponha sobre os ombros não os galões que este mundo aprecia, mas o poder da Cruz que deve ser o distintivo de todo aquele que se diz cristão. O Calvário precisa agora de uma mãe assim”.

O Padre que ali se gasta, há mais de cinquenta anos, tem sido pai e mãe, servidor e dirigente. Semanalmente há voluntários para os banhos. Alguns deles universitários, professores e alunos. Mas ninguém substitui uma mãe de todos os momentos, de todos dias. Há por aí senhoras, solteiras e viúvas, que podem dispor de si. Alguém as espera. Deixem que Deus lhes toque o coração. A verdadeira felicidade está em tornar os outros felizes. Foi este o caminho de Jesus Cristo, e não se saiu mal, pelo contrário.

Tanta gente a vogar na banalidade, a pagar tributo ao vazio! Talvez porque ninguém a inquietou. Talvez porque ainda não aprendeu a ler a vida e a ouvir os gritos não gritados. Precisa-se de uma mãe para ser mãe de muitos filhos. Há gente capaz de isso, desde que abra o seu coração sem medo. O coração medroso não gera vida, e ser mãe é gerar vida.