Educar os jovens

A mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial da Paz retoma um tema candente, no início de um novo ano, que se prevê de muitas dificuldades, exigindo um investimento quase ciclópico numa área que vem sendo descuidada, apesar de todas as palavras e medidas que lhe dizem respeito: a educação.

“A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida” – afirma o Papa. É esse fascínio e essa dificuldade que urge assumir com todo o entusiasmo e esperança. Num duplo esforço, numa cumplicidade e conjugação de duas liberdades, dos educadores e dos educandos: a disponibilidade e abertura destes, para acolher; a dedicação completa dos primeiros, para não serem “meros dispensadores de regras e informações”, mas, antes, pessoas que vivem primeiro, para proporem depois o caminho.

Face à dureza da crise, ganha foros de primeira necessidade a educação para a justiça e para a paz. O risco do “salve-se quem puder”, a tentação de buscar caminhos que continuem a alimentar o consumismo e a facilidade, a possibilidade de tensões e violências, apelam a todas as instâncias educativas para que, sobretudo aos mais novos, se proponham os caminhos do respeito, da sobriedade, da justiça, da renúncia e da partilha, que favoreçam um clima de harmonia e paz.

Como “célula originária da sociedade”, a família está no centro deste dever educativo, já que é o primeiro lugar de socialização, de estabelecimento de relações afectivas múltiplas. Mesmo em circunstâncias de algumas rupturas, de desajustes de uma família segundo o projecto de Deus, aí reside o suporte normal de relações interpessoais equilibradas. O amor – atmosfera que deve constituir o cerne da existência familiar – é o melhor ambiente educativo.

Constata Bento XVI que são muitas as agressões que os nossos tempos fazem à família: umas fruto da legislação, outras fruto da organização social, do trabalho, da cultura relativista e anti-vida, que nos envolve. Resultando, sobretudo, numa privação imposta aos filhos de um bem precioso – a presença dos pais. A educação é, antes de mais, comunicação e partilha de experiência de vida, que só a proximidade permite realizar com eficácia.

Fundamental é que o exemplo dos pais induza “os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de Quem surgem justiça e paz autênticas”. Sério convite aos pais para um exame de consciência sobre a sua relação com Deus e a prática quotidiana explícita dessa relação, traduzida na confiança nEle depositada e no diálogo habitual com Ele. Família onde se vive a fé é lugar seguro de educação para a justiça e para a paz!