Messias ou Cristo?

Para começar a entender estes dois conceitos, temos que ter em conta que o povo judeu, ao tempo de Jesus, falava a língua aramaica, bastante parecida com a língua hebraica, mesmo na escrita, que se foi impondo a pouco e pouco nos últimos quinhentos anos, a partir do exílio na Babilónia. A língua hebraica, em que foram escritos os livros do Antigo Testamento, ficou sempre considerada como a língua sagrada e litúrgica. Porém, já havia uma tradução grega (versão dos LXX) do Antigo Testamento e o Novo Testamento foi escrito também em grego.

O termo «Messias», uma helenização do aramaico meshîa’ (= ungido) só se lê 2 vezes no Novo Testamento (em Jo 1,41 e 4,25), aparecendo de resto o correspondente Christós (= ungido) quer no Novo Testamento quer na versão grega (LXX) do Antigo Testamento. Na versão dos LXX a palavra Christós ocorre 44 vezes, 37 das quais para traduzir o termo hebraico māshîah (= ungido).

Vemos que a palavra «Ungido» diz-se māshîah em hebraico, meshîa’ em aramaico e Christós em grego. Assim, Messias e Cristo significam exatamente o mesmo: Ungido.

Outro aspeto fundamental é o sentido da palavra «Ungido». No Antigo Testamento, desde David (dez séculos antes de Jesus) que o termo designava o rei porque na cerimónia da sua entronização era «ungido» com óleo na cabeça para significar que tinha sido escolhido por Deus para a função real como seu representante. Mais tarde, o termo ungido foi aplicado ao sumo-sacerdote porque também ele era «ungido» para a sua função sacerdotal. «O espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu…» vem marcar a função profética como unção não com óleo, mas pelo Espírito.

Na pessoa de Jesus realiza-se plenamente esta tripla função de Ungido (Messias ou Cristo): Sacerdote, Profeta e Rei.

J. Franclim Pacheco

Na próxima semana: Porquê «Filho do Homem», se Jesus não é filho de homem?