Participámos no Congresso Internacional de presbíteros em Roma. Foi uma oportunidade de encerrar o Ano Sacerdotal que se viveu, com o Santo Padre e presbíteros de todo o mundo (dizem que no encerramento eram cerca de 15 mil!). O que ficou de todo este encontro?
Ficou a constatação da universalidade da Igreja. De países e culturas distintas, no meio de tantas diferenças, foi perceptível que, no fundo, vivíamos a unidade do mesmo ministério ordenado.
Ficou a oração silenciosa diante do Santíssimo e a vigília com o Santo Padre em São Pedro.
Ficaram alguns desafios lançados a uma fidelidade a Cristo e ao ministério confiado para o serviço pastoral do Povo de Deus.
Ficou a angústia de ver tantos colegas jovens por opções de indumentárias antigas e que já não são o sinal verdadeiro de outros tempos.
Ficou a vontade de ouvir um apelo corajoso a um desafio missionário e evangelizador.
Ficou a sensação de uma espiritualidade mais intimista do que (pro)activa.
Na noite da Vigília com o Santo Padre, este reafirmou aquilo que era a sua convicção: a necessidade de os padres trabalharem mais em conjunto e em colaboração com os leigos; de viverem os períodos de descanso num tempo de esforço físico; de reafirmarem pelo celibato e na castidade o testemunho do Reinos dos Céus; de procurarem criar a síntese na relação entre a teologia, a fé e a cultura; em se criar uma cultura de oração pelas vocações sacerdotais e a facilitação dos canais de mediação e interpelação junto dos jovens. Ainda que sem uma novidade interpelante e necessária, o Santo Padre recolocou-nos no essencial do nosso ministério e nas respostas que sente mais favoráveis ao tempo de hoje. Vivemos, contudo, uma época em que é necessário ousar caminhos novos e novos perfis de presbíteros para que a caridade pastoral de Cristo seja aquilo que de melhor temos a oferecer à Igreja nas suas comunidades.
Regressei a casa, à Diocese e ao Seminário, com o agradecimento por esta oportunidade e tudo aquilo que ela me levou a reflectir e a pensar. Regressei com inquietações para realizar cada vez melhor a minha missão como padre, na fidelidade a Cristo; mas também na inquietante oração, pedindo ao Espírito que nos abra o entendimento para ousar ir mais fundo na reflexão sobre o ministério presbiteral e sobre os padres necessários para cada tempo.
João Alves, padre
