Papa pede moralização da vida pública

Bento XVI reafirma preocupações face ao subjectivismo e à privatização da religião na sociedade.

Bento XVI alertou para uma crise moral que atinge as “estruturas que estão na base da convivência” civil, considerando que as mesmas se encontram ameaçadas.

“O nosso mundo, com todas as suas novas esperanças e possibilidades, é atravessado, ao mesmo tempo, pela impressão de que o consenso moral diminui e, como consequência, as estruturas que estão na base da convivência já não conseguem funcionar de modo pleno”, disse a responsáveis da polícia de Roma, no dia 21 de Janeiro.

Num momento em que a Itália atravessa uma crise política, o Papa pediu que “a sociedade e as instituições públicas reencontrem a sua «alma», as suas raízes espirituais e morais”. Bento XVI reafirmou preocupações face ao subjectivismo e à privatização da religião na sociedade, criticando “uma visão redutora da consciência” que faz com que “cada um tenha a sua própria verdade, a sua própria moral”.

“A consequência mais evidente é que a razão e a moral tendem a ser confinadas para o âmbito do sujeito, do privado: a fé, com os seus valores e os seus comportamentos, não tem direito a um lugar na vida pública e civil”, referiu.

Para o Papa, a sociedade que dá “grande importância ao pluralismo e à tolerância” é a mesma na qual “a religião tende a ser progressivamente marginalizada e considerada sem relevância, de certa forma estranha ao mundo civil”.

Sobre Roma, “cidade eterna”, Bento XVI disse que as “profundas mudanças” que atravessa podem gerar “sentimentos de insegurança, devidos, em primeiro lugar, à precariedade social e económica”. Em conclusão, o Papa declarou que a Igreja não vai deixar de “oferecer o seu próprio contributo para a promoção do bem comum”.

Dificuldades no caminho para a unidade

entre as Igrejas cristãs

Bento XVI admitiu na segunda-feira, 24, no Vaticano, que a unidade “plena e visível” entre os fiéis das várias Igrejas “parece ter-se novamente afastado”, mas deixou uma palavra de “esperança” para o futuro.

O Papa recebia em audiência uma delegação da Igreja evangélica luterana da Alemanha, no penúltimo dia da semana de oração pela unidade dos cristãos, assinalada anualmente no hemisfério norte de 18 a 25 de Janeiro.

Após 50 anos de trabalho, disse Bento XVI, persistem “diferenças teológicas nalgumas questões fundamentais” entre católicos e luteranos, que, apesar disso, lançaram a base de uma comunhão vivida “na fé e na espiritualidade”.

“O compromisso da Igreja Católica em relação ao ecumenismo não é apenas uma estratégia de comunicação num mundo que se está a transformar, mas sim uma obrigação fundamental para a Igreja, a partir da sua missão”, disse.