Como lidar com uma vaga cultural? Esbracejar face à onda é tolice e fugir cobardia. Devem evitar-se a atitude apática e facilitista, que escamoteia a gravidade do tema em nome da paz podre, e o fanatismo intolerante, que transforma essa gravidade em agressão. Nestas discussões vitais existem três exigências básicas. Primeiro ter ideias claras e opiniões firmes, ao nível da importância do assunto, com argumentos sólidos e elaborados para as suportar. Depois respeitar sempre os opositores, por mais chocantes que sejam as suas posições, procurando um diálogo sereno e profundo. Acima de tudo, deve reinar a certeza que no fim a verdade triunfará.
João César das Neves
Diário de Notícias, 30-01-2012
E se, após tanta austeridade inevitável e a que ainda vai chegar, o país não arrancar para o crescimento económico e se acabarmos por ter de sair do euro e se se entrar em convulsões sociais e se for preciso um Governo de salvação nacional, a que reserva moral e institucional recorrer?
Anselmo Borges
Diário de Notícias, 28-01-2012
Assim de repente, só o fisco mostra ligar ao assunto, o que se explica pelo facto de a falta dos 111 mil petizes ter sido justamente detetada nas declarações de IRS de 2010 por comparação com as do IRS de 2009. Nestas, os pais incluíam despreocupadamente os filhos para efeitos de redução no imposto. No IRS mais recente, tornou-se obrigatório acrescentar o número de contribuinte de cada filho. Conclusão: os filhos rumaram a parte incerta. Rapto monumental? Êxodo em massa? Acção de um Herodes (ainda mais) épico?
Alberto Gonçalves
Diário de Notícias, 29-01-2012
Não deixa de ser sintomático que uma quantidade apreciável de cidadãos encare formas autoritárias de poder como uma solução viável para a presente situação.
Leonel Moura
Jornal de Negócios, 27-01-2012
