Cacuho, menina tímida e linda, já pode ir à escola

São 54 os “adotados à distância” por pessoas, famílias e grupos da região de Aveiro. Por 8, 12,50 ou 25 euros mensais garante-se a educação de uma criança ou jovem.

Chama-se Cacuho. É uma menina angolana de oito anos, que desde junho de 2011 tem a sua escolaridade assegurada porque está a ser apadrinhada por duas pessoas da região de Aveiro, que mensalmente investem 12,50 euros cada na sua educação. Investem, sim, porque apesar de não verem retorno direto, sabem que o gasto na educação de alguém é um dos melhores investimentos que se pode fazer. Ainda mais em tempos de crise.

Catarina Pereira, de Oliveira do Bairro, casada, mãe de duas crianças, apadrinha com uma amiga a menina Cacuho. “Segundo viemos a saber, no final do verão, através de uma voluntária que esteve em Angola, a Cacuho é uma menina tímida e linda que gosta muito de ir à escola. Nós acreditamos que este pequeno gesto de separar 12,50 euros do nosso mês para o projeto de apadrinhamento pode apoiar a formação de crianças e jovens. Passados oito meses, a sensação que tenho é que posso não mudar o mundo com os meus 150 euros anuais, mas sei que estou a contribuir de alguma forma para o tornar melhor para alguém, ajudando que já ajuda”, afirma, referindo-se aos missionários e organizações que estão no terreno e que são a garantia da educação de Cacuho.

Os 25 euros mensais do apadrinhamento à distância “asseguram a alimentação, inscrição na escola e material escolar de uma criança específica durante um mês, aproveitando as diferenças de valor e de cambio das moedas dos países de destino face ao euro”, afirma a Orbis, organização não governamental para o desenvolvimento, surgida na órbita do Secretariado Diocesano da Animação Missionária da Diocese de Aveiro. Por estes dias, a Orbis lançou uma campanha de apadrinhamento com o apoio do apresentador televisivo Helder Reis (“Praça da Alegria”). Atualmente, por intermédio da Orbis, são apadrinhadas 54 crianças e jovens no Brasil (Amazónia), Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

“Contágio pessoal”

Catarina Pereira desafiou uma amiga, que “nem é muito de Igreja”, para ser parceira no apadrinhamento. “Penso que isto funciona muito por contágio pessoal. Convenci a minha amiga e agora tencionamos trazer novas pessoas para o projeto”, afirma. Por outro lado, reconhece este tipo de ação não consiste apenas em dar uma quantia, mas em acompanhar. “Exige mais entrega porque temos de preencher uma ficha, o que de alguma forma responsabiliza, e faz parte do processo dar e receber informação”. Relata, a propósito disso, que além de ter recebido fotografias da Cacuho, espera agora uma carta ou desenhos da menina angolana. Para Angola seguiu um envelope cheio de desenhos do Sebastião, que tem cinco anos. “O meu filho acompanha a ideia desde o princípio. Há dias perguntou-se se Angola não é rica. Expliquei-lhe que há gente muito rica e gente muito pobre, como a Cacuho”.

O seminário

também apadrinha

Também o Seminário apadrinha à distância, desde há um ano, através da Orbis. Chama-se Jannike e é uma adolescente cabo-verdiana. “Faz parte do projeto educativo do Seminário participar em ações de voluntariado”, explica o P.e João Alves, reitor do Seminário de Aveiro. “Os nossos alunos do 12.º ano participam na Ceia com Calor [visita noturna aos sem-abrigo de Aveiro] e todos colaboram no apadrinhamento da Jannike”. “Todos” quer dizer os oito seminaristas, os dois padres educadores e as religiosas que servem o Seminário. Os seminaristas comprometeram-se a colocar numa caixa comum um euro ou mais por mês, as Irmãs também dão algo, e os padres completam o que faltar para os 25 euros mensais. O P.e João Alves lembra que este tipo de ações sempre fez parte da educação dos seminários: “No meu tempo, ajudávamos os leprosos nas campanhas de Raoul Follereau [que ainda se realizam], agora colaboramos para a educação de uma pessoa. Entre todos, não custa nada, educa para a solidariedade e faz a diferença na vida de uma pessoa”. O pouco de um com o pouco de outro faz a educação de mais um ou uma jovem. E isso é muito.

J.P.F.

Números do apadrinhamento

54

Crianças e adolescentes apadrinhados por pessoas ou grupos da região de Aveiro por meio da Orbis, organização que faz a intermediação entre os aveirenses e as entidades (geralmente missionários) no terreno.

11596

euros investidos em 2011 no apadrinhamento por intermédio da Orbis. Em 2010, o investimento havia sido de 6720 euros, o que significa que houve um aumento de 72,5 por cento.

150

crianças na lista de espera da Orbis para serem apadrinhadas, em Angola, Brasil (Amazónia), Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

25

euros por mês. Custo do apadrinhamento na modalidade “Eu apadrinho” (uma pessoa apadrinha uma criança). A Orbis disponibiliza mais duas modalidades: “Apadrinha comigo” (dois padrinhos apoiam uma criança, dando cada um 12,5 euros por mês); e “Apadrinha Connosco” (três padrinhos apoiam uma criança, dando cada um 8 euros por mês).

Contactos da ORBIS:

www.orbiscooperation.org; one.child@orbis.org.pt