O programa não é demasiado educativo. Tenderá mais para o divertido na pior aceção do termo, isto é, para o lote daqueles entretenimentos que “libertam” da realidade, sem deixar referências que orientem na construção do futuro. Também pela superficialidade com que é conduzido.
Não significa isto que não surjam alguns lampejos de elevado valor: certos comentários frontais de elementos do júri, por exemplo. Ou a postura de algum dos intervenientes, que se afirma pela verticalidade da sua presença e pela humilde ousadia de deixar claras as suas mais profundas convicções.
Foi o que aconteceu naquele momento. Coerente consigo próprio, esta figura pública dos meios de comunicação social agradeceu a oportunidade de estar ali, a amizade e solidariedade dos colegas e da assembleia. E, nas vésperas de ser internado para uma intervenção cirúrgica, pediu que o calor humano da plateia e dos telespectadores o acompanhasse, até à sua volta. Mas o mais importante, em que porventura não muitos terão reparado, foi dizer que esperava as orações de todos!
É necessário ter um interior estruturado, ter uma convicção religiosa inabalável, para se dizer crente, para proclamar o seu reconhecimento da força da oração, para dizer que o Transcendente faz parte da sua vida… Ali, num lugar e ambiente sem quaisquer referências religiosas, num clima de neutralidade, de indiferença religiosa sistemática, onde o “se Deus quiser” ecoa sem sentido e de raspão. É ali que se ergue esse testemunho claro da ousadia da fé!
Jesus advertiu-nos: se nos envergonharmos de O confessar diante do mundo onde vivemos, Ele vai omitir-Se de nos creditar diante do Pai. Aquilo que, em certos períodos da história, não pareceria muito difícil de cumprir, porque a atmosfera envolvente era favorável, hoje, em muitos lugares e ocasiões, reclama o arrojo do heroísmo, pago, frequentemente, com a indiferença, o ostracismo, a perseguição e a própria perda da vida.
Não nos minimiza a fé em Cristo Jesus. Molda-nos como os agricultores que deitam a mão ao arado e não olham para trás, tempera-nos como os homens do leme que enfrentam a crista das ondas sem hesitar. E são esses que tornam o mundo produtivo, que transformam os cabos das tormentas em cabos da boa esperança, que rasgam os céus de chumbo do pessimismo para fazer brilhar o sol da esperança.
Não há evangelização sem testemunho! A realidade vivida é que se pode tornar conteúdo comunicável, interpelativo e apelativo! A nova evangelização passará – profundamente convictos o afirmamos – pelo vigor do testemunho daqueles que, acreditando deveras, não cabem em si de contentes e transbordam essa felicidade de encontro com Aquele que dá sentido à vida!
