“Não há nada melhor do que a verdade, mesmo quando ela nos castiga, dados os silêncios e encobrimentos do passando que revelam cumplicidade, pelo menos passiva”, admite porta-voz da CEP.
O secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou que existe uma “decidida vontade da Igreja”, ao mais alto nível, de “erradicar” os casos de abusos sexuais de menores por membros do clero e em instituições eclesiais.
Em declarações à Agência Ecclesia, o padre Manuel Morujão comentava o desenrolar do simpósio internacional ‘Rumo à cura e à renovação’, que reuniu em Roma representantes de 110 conferências episcopais, incluindo a portuguesa, e 30 ordens religiosas, entre os dias 6 e 9 deste mês.
O sacerdote fala em “crimes particularmente graves” e cita a mensagem de Bento XVI lida neste encontro, na qual se sublinhava a necessidade de promover uma “vigorosa cultura” que leve a defender as crianças de todo o tipo de abusos.
“Embora os abusadores sejam exceções à regra comum de boa conduta na Igreja, estes casos não podem ser tolerados, como algo de marginal, pontual e excecional”, observa. O secretário da CEP diz que entre os participantes no simpósio o clima era de “grande abertura e transparência”. “Não há nada melhor do que a verdade, mesmo quando ela nos castiga, dados os silêncios e encobrimentos do passando que revelam cumplicidade, pelo menos passiva”, admite.
A iniciativa foi organizada pela Pontifícia Universidade Gregoriana, contando com o apoio da Santa Sé, em particular da Congregação da Doutrina da Fé (CDF), que em 2011 solicitou aos episcopados católicos de todo o mundo a elaboração de diretivas próprias para tratar os casos de abusos sexuais, a serem entregues até final de maio deste ano.
“A linha de rumo marcada é clara: a tolerância é zero. Mas a severidade nas leis e nos procedimentos não resolve por si os problemas, é preciso investir na prevenção, na formação”, refere o padre Manuel Morujão. Este responsável considerou “particularmente impressionante” o testemunho de uma vítima, irlandesa, abusada quando tinha 13 anos, que hoje em dia “colabora ativamente com o seu bispo na erradicação deste crime e na ajuda às vítimas”.
O secretário da CEP destaca ainda a “celebração penitencial” presidida pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, como momento de “assumir culpas, diante de Deus e dos homens, com o propósito firme de emenda”.
O encontro terminou com o anúncio da criação de um ‘Centro para a proteção da infância’, uma escola de ensino à distância que até 31 de dezembro de 2014 vai oferecer “cursos de formação, prevenção e cura, a agentes pedagógicos e pastorais”, em quatro línguas: espanhol, inglês, italiano e alemão.
Esta iniciativa (www.elearning-childprotection.com) tem sede Universidade Gregoriana de Roma, dirigida pela Companhia de Jesus (Jesuítas), com o apoio da Arquidiocese de Munique e da Universidade de Ulm, na Alemanha.
Ecclesia / C.V.
