Bento XVI presidiu a uma missa na Basílica de Santa Sabina, em Roma, assinalando o início do tempo da Quaresma com o rito da imposição das cinzas.
O Papa falou num “como convite à penitência, à humildade, a ter presente a própria condição mortal”, que não deve “levar ao desespero”, mas antes a acolher a “impensável proximidade de Deus, que, para além da morte, abre a passagem para a ressurreição, para o paraíso finalmente reencontrado”.
A celebração foi antecedida por uma “procissão penitencial”, desde a igreja de Santo Anselmo, após um momento de oração pessoal, com a presença de cardeais e bispos, dos monges beneditinos de Santo Anselmo e dos padres dominicanos de Santa Sabina.
Na homilia da missa, o Papa apresentou uma reflexão sobre a imposição das cinzas, observando que se trata de “um daqueles sinais materiais que transportam o cosmos para o interior da Liturgia”.
“O sinal da cinza conduz-nos ao grande fresco da criação, onde se diz que o ser humano é uma singular unidade de matéria e de sopro divino, através da imagem do pó da terra plasmado por Deus e animado pela sua respiração, insuflada nas narinas da nova criatura”, observou, numa referência ao livro do Génesis, o primeiro da Bíblia.
Segundo Bento XVI, só depois do pecado é que o símbolo do pó assume uma conotação negativa, deixando de “de evocar o gesto criador de Deus, todo aberto à vida, para se tornar sinal de um inexorável destino de morte: ‘Tu és pó e ao pó voltarás’”.
Ag. Ecclesia
“Tentação” de mundo sem Deus
Bento XVI alertou para a “tentação” de eliminar Deus da construção da sociedade, que considera estar “sempre presente” na história da humanidade. O Papa falava a milhares de peregrinos reunidos no domingo na Praça de São Pedro, para a recitação da oração do Angelus, comentando uma passagem do Evangelho do primeiro domingo da Quaresma, que relata as “tentações” a que Jesus foi submetido no deserto, um lugar que pode servir como “refúgio”.
Para Bento XVI, muitos procuram construir a sua vida “fora” de Deus ou como “se Ele não existisse”, contando apenas com as suas próprias capacidades para “colocar ordem em si próprios e no mundo”. Nesse contexto, apelou à “paciência e humildade” para seguir Jesus, “fonte da verdadeira vida”.
