Abrir o coração. Animação vocacional em tempos difíceis e estimulantes
Juan Carlos Martos
Ed. Paulinas
216 páginas
Estimulante e esclarecedora é a leitura deste livro escrito por quem conhece os meandros da animação vocacional, concretamente na vizinha Espanha. Estimulante porque inquieta e incomoda a todos os cristãos e não apenas uma espécie – em vias de extinção (digo eu!) – de animadores e ou promotores vocacionais.
De facto, não podemos fazer as mesmas coisas de sempre e esperar, jubilosamente que seja, resultados diferentes dos anteriores. Dizia-o Einstein, chamando a isso, nada mais nada menos, “loucura”.
Este livro, com prefácio do Bispo de Aveiro, é um belo contributo para pensar, organizar, estruturar a pastoral vocacional não como um âmbito isolado da ação pastoral da Igreja, mas como âmbito transversal toda a pastoral da Igreja, vivido e exercido solidariamente, em conjunto.
Com exato realismo, que advém da vasta experiência do autor, o livro compromete aqueles que são sujeitos da ação pastoral vocacional. E o sujeito de toda a ação vocacional é toda a comunidade cristã, chamada a criar uma cultura vocacional.
Identificando as fases de um itinerário vocacional que passou da abundância, à escassez (inverno vocacional) propõe-se como caminho a seguir aquilo que se designa de “salto qualitativo”. Este salto baseia-se especialmente nas conclusões propostas pelo Congresso das Vocações, realizado em 1997, e que ainda não imprimiu ritmo à ação da Igreja no seu todo e das igrejas particulares.
Até ao momento, li menos de metade das cerca de 200 páginas do livro. Ouso, mesmo assim, apresentá-lo como “manual” indispensável para a criação de uma cultura vocacional na Igreja, em especial nesta diocese que formamos, e que, inclusivamente, está já a pensar, ao nível das suas estruturas, formas e meios de impulsionar essa cultura.
Não se trata de um livro para o bispo ler, ou para os padres e as freiras, ou mesmo para os agentes de pastoral mais comprometidos. (Alguns, com certeza, já o leram e aos outros não lhes fará mal algum, antes pelo contrário!) Mas é um livro para ser lido pelos cristãos, chamados e vocacionados a ser, neste tempo, instrumentos e mediadores de um Deus que chama, que chama sempre, e que chama porque ama. “Numa Igreja inteiramente vocacional, urge que todos sejam animadores vocacionais”.
José António Carneiro
