Poço de Jacob – 98 Na história da Igreja, de ontem e de hoje, o Espírito Santo, sempre original e inesgotável, suscitou eventos e realidades que marcam épocas e civilizações. A história da espiritualidade é apaixonante e está condensada na história bíblica. Desde sempre, Deus faz surgir os profetas certos para cada época. Todas as épocas são épocas de santos. E quanto mais difícil o tempo, mais fortes são as características de vida nova que esses homens e mulheres transmitem. Vemos que nascem em qualquer época seguidores que assumem o carisma e mantêm a herança. Beneditinos, franciscanos, carmelitas, Opus Dei, focolares, schoenstattianos, carismáticos…

É interessante ver que a arquitetura adquire as características dessa espiritualidade. Além do românico e do gótico e suas derivações segundo a espiritualidade da época, conseguimos definir as características de um convento ou igreja beneditina, carmelita, salesiana, franciscana, dominicana. Há pontos que são universais e outros que são específicos da congregação ou movimento. A decoração e a arquitetura acompanham essa realidade. Reflectem a vida dos fundadores. As andanças de um S. Francisco ou S. Domingos e seus seguidores ao longo dos séculos. Um S. Bruno. S. Bento. S. Bernardo… Os carmelos fundados por Santa Teresa de Ávila, que são um verdadeiro itinerário místico na geografia espanhola, completado no século XX por Santa Maravilhas de Jesus… Para viver isso, teríamos de visitar todo o território de Espanha e ainda saltar para fora das suas fronteiras, França, Bélgica, onde o carmelo continuou a escrever páginas de uma verdadeira epopeia do divino no mundo. Apaixonante! Poderíamos viver o mesmo na história de S. Bruno ou das recém-fundadas Monjas de Belém… E as diferentes ramas da família franciscana, de vida ativa ou de contemplação. A historia é maravilhosa.

Queria neste artigo sublinhar algo que considero único nas epopeias da Igreja: os santuários de Schoenstatt. A espiritualidade mariana que nos leva à fé prática na divina providência e nos educa num crescimento de vida para sermos santos da vida diária são pontos que Schoenstatt recolhe da espiritualidade católica geral para vivermos na nossa caminhada para a santidade. Mas, desde 1942, algo aconteceu no Uruguai, em Nova Helvécia. Alguém, em plena II Guerra Mundial, teve a ideia de construir uma réplica exata do santuário da Alemanha onde tudo começou, a que chamamos Santuário Original. Ali começou a epopeia. Hoje são 200 as cópias, em todos os continentes. Por dentro e por fora, são cópias exatas na medida, embora cada um tenha um lema diferente , uma corrente de vida específica. À sua volta desenvolve-se uma pujante vida espiritual. Há um número cada vez maior de pessoas que vivem essa aventura… Porto, Lisboa, Braga, Aveiro são pontos de referência com santuários que permitem um itinerário de fé que se serve também da estrutura da construção material. Se um é Cenáculo, outro é Tabor. Se num vivemos o Pai, noutro vivemos o Filho ou o Espírito Santo. Num estão a Irmãs de Maria, noutro as Senhoras de Schoenstatt, noutro a União Feminina, ou o Instituto das famílias, ou os Irmãos de Maria, ou os padres de Schoenstatt e cada um transmitindo ao Santuário a riqueza e particularidade de sua comunidade, pois P.e Kentenich fundou umas 12 comunidades diferentes. Se vou a Madrid, lá os encontro. Na Alemanha, são 52… Se vou à Polonia, Rússia, Grã-Bretanha, França, Itália, Índia, Filipinas, Austrália, vários países de Africa, e toda a América. Há quem marque férias para conhecer os santuários e as cidades que estão perto. Se tenho emigrantes em qualquer país, digo-lhes que vão ao santuário para sentirem ali o lar que deixaram em Portugal, de tal modo que a vida religiosa não se interrompa com a emigração. Considero um fenómeno único na Igreja.

Os Santuários de Schoenstatt têm “sites” às centenas, com paisagens variadas, gentes de todas as raças, tudo para a construção de um homem novo numa nova comunidade, pelas mãos de Maria, nossa Mãe e Educadora. Aqui bem perto, Schoenstatt existe na Gafanha da Nazaré. Schoenstatt significa “lugar bonito” É nome de um lugar da Alemanha. Fala-nos de outras paisagens, as quais, na unidade das formas e da silhueta do Santuário, nos ajudam a deixar Deus escrever história de amor nos nossos corações. Considero-o uma pequena catedral. Ali tudo se resume. Ali Deus, por Maria, acolhe, transforma e envia… E essas graças, ditas as três graças do Santuário, eu sinto acontecer na vida de muita gente, com curas salientes de depressão nervosa. E, apesar das limitações humanas que tudo na Igreja tem, Schoenstatt, nos seus santuários, é uma singular epopeia de Deus na história e na geografia do mundo de hoje. Convido-o a empreender essa viagem e verá com se sentirá apaixonado.

Vitor Espadilha