As viagens chamadas de finalistas – e digo chamadas, porque muitos dos jovens que integram esses grupos não chegarão a ser finalistas no ano em que viajam – são, de há muito e em muitas circunstâncias, uma vergonha para a Educação, a expressão de um alheamento e inconsciência dos pais, o campo fértil de exploração comercial sem escrúpulos. O vandalismo, os excessos de álcool, de drogas, de sexo, tornam-se manifestação de uma libertinagem primária, que ronda as fronteiras do drama social, às vezes resultando mesmo em tragédia.
Não se compreende que, em momento de tantas dificuldades financeiras, com cantinas escolares abertas durante pausas letivas para que alguns alunos possam usufruir de refeições mínimas, sendo os custos assumidos pelo erário público, com famílias que não conseguem obviar aos encargos do transporte escolar, não se compreende que se não desencadeiem mecanismos para travar estas extravagâncias, início, algumas vezes, de perda definitiva de rumo nos estudos para os que nelas se metem.
As escolas colocam-se à margem destas organizações, porque não têm capacidade de controlar uma desconcertante “liberdade” que os alunos obtêm dos pais. Certo é que, quando algo de mal notório acontece, a imagem da escola vê-se indesejavelmente associada aos factos. E as famílias, que abriram caminho a tudo isto, por uma incapacidade de dizer não e de propor outras iniciativas, culpam não raro as escolas de ausência da vida dos estudantes.
Importa sublinhar que há grupos de alunos, de sua iniciativa, motivados por professores, estimulados por alguns pais, que projetam viagens verdadeiramente culturais, não raro de solidariedade. E até renunciam a gastar esse dinheiro, para se empenharem em angariar fundos, a fim de ajudar as suas escolas a superar as dificuldades financeiras que a conjuntura impõe.
Também aparecem aqueles que só se julgam finalistas depois de concluírem o ensino secundário e promovem, então, uma festa que lhes permita uma experiência de unidade antes da dispersão pelas universidades.
É urgente criar uma nova cultura de vida académica, de trabalho escolar e de diversão adequada, proporcionada e construtiva, que não perturbe nem muito menos arruíne o ano de trabalho; que respeite e estimule a dignidade da pessoa humana; que gere verdadeira alegria, em rostos erguidos de esperança.
Urge um retorno a uma rede de afetos familiares estáveis, a uma sábia gestão do tempo de todos os membros da família em função da integração das diversidades em projetos de vida partilhados. Aí começará uma transformação desta desintegração juvenil em crescimento sustentado e solidário: todos se apoiam, todos aprendem com todos, todos se responsabilizam por todos.
