“Benedicto, hermano, ya eres mexicano”

Posições contra violência e defesa da liberdade religiosa marcam viagem de Bento XVI ao México. 2,5 milhões de pessoas viram o Papa.

Bento XVI conclui na segunda-feira a sua primeira visita ao México, maior país católico de língua hispânica, onde deixou vários alertas contra a criminalidade, a violência e o narcotráfico que provocaram dezenas de milhares de mortes. Quase 10 anos depois da última visita papal, milhões de mexicanos saíram às ruas do país para acolher o Papa alemão, que no domingo recordou os que sofrem “por causa da pobreza, da corrupção, da violência doméstica, do narcotráfico, da crise de valores ou da criminalidade”.

Simbolicamente, Bento XVI cumprimentou em privado, no sábado, oito vítimas e familiares de pessoas atingidas pela criminalidade organizada e a violência no país, como uma mãe cujo filho foi assassinado numa festa, a esposa de um militar morto numa operação ou a mãe de um polícia desaparecido.

No Parque do Bicentenário, entre as cidades de Guanajuato, León e Silao, região central do México, o Papa convidou os católicos a instaurarem “uma sociedade mais justa e solidária”, recusando a tentação de submeter os outros “pela força ou pela violência”.

Após sobrevoar, de helicóptero, o monumento a Cristo Rei no cimo da colina de Cubilete, a mais de 2500 metros de altitude, Bento XVI disse que este é um “lugar emblemático da fé do povo mexicano”, no qual se revela que a realeza de Jesus “não é como muitos a entenderam e entendem”. “O seu reino não consiste no poder dos seus exércitos submeterem os outros pela força ou pela violência”, sublinhou, na homilia de uma missa que juntou mais de 600 mil pessoas.

Horas mais tarde, perante bispos mexicanos, da América Latina e das Caraíbas, o Papa denunciava todas as formas de “perseguição” contra os católicos, manifestando preocupações “com as limitações impostas à liberdade da Igreja no cumprimento da sua missão”.

O tema esteve em cima da mesa num encontro privado com o presidente mexicano Felipe Calderón, num momento em que se discute uma reforma constitucional no México.

Bento XVI iniciou a sua viagem, na sexta-feira, com apelos em favor do “direito fundamental à liberdade religiosa”, pedindo este que seja respeitado “no seu genuíno significado e na sua plena integridade”. O Senado mexicano debate atualmente a reforma de dois artigos da Constituição relativos a esta matéria, já aprovadas na câmara baixa do Parlamento, que se referem à inclusão do adjetivo ‘laica’ na definição da República (artigo 40), à possibilidade de realização de atos de culto em espaços públicos e ao direito ao ensino religioso nas escolas públicas (artigo 24).

A Santa Sé estima que mais de 2,5 milhões de pessoas acompanharam o Papa, muitas vezes ao som do grito “Benedicto, hermano, ya eres mexicano” (“Bento, irmão, já és mexicano”).

Ag. Ecclesia / CV

Papa chegou a Cuba com apelos de unidade e renovação

Bento XVI chegou a Cuba na tarde de segunda-feira, deixando apelos em favor da unidade de todos os cubanos e da renovação da sociedade local. Na primeira das duas missas previstas para as pouco mais de 48 horas de estadia em Santiago de Cuba e Havana, o Papa falou em favor de uma sociedade “aberta e renovada”, baseada na paz e no perdão.

A necessidade de reconciliação nacional esteve presente nas intervenções de Bento XVI, que se dirigiu sempre a todos os cubanos, “onde quer que se encontrem”, numa alusão aos exilados e emigrantes em vários países.

À hora do fecho desta edição, ainda havia expectativas sobre um encontro com Fidel Castro.

A visita termina na tarde de quarta-feira, 28, devendo o Papa chegar a Roma na manhã de quinta-feira.