O mundo é verdadeiramente admirável. Qualquer bonita paisagem nos seduz, qualquer planta, aparentemente insignificante, pode chamar-nos a apreciar a beleza das pequenas coisas, qualquer animal minúsculo ou de grandes dimensões chama a nossa atenção. Se falarmos no ser humano, suas capacidades e realizações, sente-se a grandeza de sermos criados à imagem de Deus. Mundo admirável, sem dúvida, este que tem Deus na sua origem.
Simultaneamente, mundo de fome, de guerra, de injustiça, de criminalidade e malvadez, de orgulho e vaidade sem limites, do poder e da droga, do sexo e do prazer imediato, da hipocrisia e de todas as hipocrisias. Este mundo torna-se assim de admirável em miserável, de humano em selvagem, não porque tenha de ser assim, mas porque as pessoas o fazem à medida dos seus caprichos: É o mundo feito à imagem e semelhança do homem.
Vivemos neste “admirável” mundo que, com esta paisagem de fundo e com total desfaçatez e hipocrisia, diz que já não há pecados nem pecadores. Estamos assim num mundo tão bom em que tudo é permitido, tudo é normal. Porquê então tantas queixas, tantas lamentações, tantas angústias, se tudo é permitido?
Paradoxalmente, um mundo de pecado – não tenho medo desta palavra -, em que ninguém é pecador, a não ser que sejam os outros…
Para melhor fundamentar a minha opinião bastará apresentar algumas situações por todos facilmente reconhecidas: assaltos e mais assaltos, criminalidade abundante que todos lamentamos, mas multiplicam-se os filmes e as notícias até ao mais ínfimo pormenor ensinando caminhos do crime e despertando as vontades; incêndios destruidores que toda a gente sabe que são criminosos e escondemos os responsáveis por detrás das queimadas ou dos considerados mentalmente desculpados; pedofilia em crescendo sem condenações, a não ser que atinjam gente relacionada com a Igreja, a par de uma vida sexual completamente permissiva, até no espaço do matrimónio (e aqui não há pecado) e sugerida aos adolescentes e jovens, nas escolas, na comunicação social e até dentro de algumas famílias; negócios escuros de milhões e riquezas desonestamente adquiridas… mas o que é preciso é saber viver; passa a ideia de que tudo é bom desde que resulte em benefício ou prazer pessoal…
Hipocritamente admirável este mundo! Quem poderá, com verdade, afirmar “Eu não tenho pecados”? Será que o mal e os males que a todos nos envolvem são exclusivamente da responsabilidade dos outros? “Maravilhoso mundo” o da minha falta de consciência! Que santo que eu sou: maravilhoso mundo de um único santo no meio dos pecadores! Hipocritamente maravilhoso para quem só olha para o seu umbigo! Se este é o seu mundo, poderá continuar a ser arrastado na corrente, sujeito a “perder o pé”. Agarre-se a uma boia de salvação enquanto é tempo.
Decididamente, por muito que nos queiramos convencer do contrário, este não pode ser o nosso mundo, porque tal mundo não tem futuro. Retiremos as máscaras, denunciemos e façamos desaparecer as obras da escuridão. Olhemos com os olhos de uma nova primavera um mundo a renascer e a transformar -se diariamente.
Descubra com a nova luz os caminhos novos da verdadeira Páscoa. Aceite percorrer com os outros esse caminho e, garantidamente, chegaremos, sem interrogações, ao ADMIRÁVEL MUNDO da Vida Nova em Jesus Cristo.
É a Páscoa que lhe desejo.
