Demissão coletiva

Infelizmente, deve reconhecer-se que nos encontramos em demissão coletiva face aos problemas sociais de maior gravidade, apesar do esforço extraordinário de inúmeras pessoas e outras entidades públicas e privadas. Perante inúmeras situações de desespero social, o Governo atual (como os anteriores), as outras forças políticas, a opinião pública dominante… vêm apostando na ilusão do estatismo e do financismo. Consideram normal que as medidas de ação social de emergência sejam decididas pelo Estado central, afetando-lhes determinadas verbas para determinados problemas pré-estabelecidos e estereotipados; por isso, as instituições são motivadas para atividades que lhes deem acesso a tais verbas, mesmo sacrificando situações muito graves.

O Governo atual dá continuidade aos anteriores como distribuidor de dinheiro, à maneira de um mecenas privado, abandonando muitas situações aos cuidados da família, da entreajuda local, do voluntariado de proximidade e daquelas instituições que não se limitam a atividades acordadas com ele. As oposições e outras entidades com mais visibilidade fazem o mesmo jogo e reivindicam que se distribua cada vez mais dinheiro, como se os recursos fossem ilimitados.

Os governos são acusados de insensibilidade social; a mesma insensibilidade que caracteriza os seus contestatários. Governos e contestatários centram-se mais no Estado e no dinheiro do que nas pessoas e na ação social direta. Para cúmulo até classificam, pejorativamente, como assistencialista esta ação – sobretudo a menos formal e menos apoiada; quase sugerem que não se prestem ajudas imediatas, menos perfeitas, e que, pelo contrário, se instrumentalizem as pessoas necessitadas como reféns, até ao momento em que só existam soluções perfeitas e todas as reivindicações sejam atendidas. Por isso, muitas dessas pessoas vão sucumbindo numa espécie de extermínio programado e benigno; benigno, face a outros como, por exemplo, o nazi e o soviético (cf. a encíclica «Deus Caritas Est», 2005, nº. 31-b), de Bento XVI). Existem alternativas a esta demisão e suicídio coletivos? – É o que será abordado no próximo artigo.