As comunidades católicas vivas assentam em três pilares. O primeiro tem que ver com uma fé viva e esclarecida, capaz de dar razões. Neste domínio, penso que a Universidade Católica poderia cumprir melhor as suas responsabilidades. O outro diz respeito à prática do amor. Não há dúvida de que os católicos tanto a nível institucional como a nível individual e familiar têm sido exemplares no atendimento às carências dos mais desfavorecidos. Mas não basta: não deixa de impressionar que, se, quanto ao sentido da vida e à moral humanitária ou aos valores altruístas, a influência da religião se manifesta forte, é débil quanto ao sentido cívico-político, o que leva à pergunta: são só os 20% não católicos os responsáveis pela atual crise dramática do país? O terceiro pilar tem que ver com as celebrações: aqui, impõe-se um enorme investimento a fazer tanto nas homilias como na música, na sua dignidade e beleza.
Anselmo Borges
Diário de Notícias, 28-04-2012
Se encararmos as pessoas com olhos clubísticos, moralistas ou partidários, tendemos a classificá-las e a julgá-las segundo a proximidade ou afastamento do grupo a que pertencemos. É normal. Mas se não formos intolerantes e tivermos a liberdade religiosa como um valor fundamental, não ofenderemos ninguém com as nossas preferências, nem com o testemunho público das nossas convicções mais profundas.
Bento Domingues
Público, 30-04-2012
[No caso BPN,] a discussão política é importante. Mas o verdadeiramente fundamental é que, em qualquer circunstância, se apure no plano judicial tudo aquilo que houver para apurar. Não é tolerável que na sociedade portuguesa continue a fazer caminho a perigosa ideia de que a justiça é cega perante os poderosos. As evidências deste caso são muitas. Os cidadãos não deixarão de estar atentos quer à coragem dos políticos quer à vontade dos investigadores.
João Marcelino
Diário de Notícias, 28 -04-2012
Em dois anos, a austeridade fez cair dez Governos da União, e em dois desses casos, Grécia e Itália, as eleições foram dispensadas para evitar males maiores. À custa deste modo de fazer as coisas crescem os radicais de esquerda e de direita. Crescem em França, dominam na Holanda e ameaçam acabar com a maioria tradicional na Grécia entre socialistas e conservadores. No Norte e no Leste da Europa há sinais preocupantes em relação à extrema-direita.
Paulo Baldaia
Diário de Notícias, 29-04-2012
