Escola João Afonse de Aveiro recirou produção de adobe

Alunos aprenderam como se construía no séc. XIX e princípios do séc. XX. Um método ecológico.

Para muitos dos alunos que frequentam a Escola João Afonso de Aveiro, foi uma novidade saber que durante séculos as casas da região de Aveiro foram construídas com adobes feitos de terra misturada com palha, como aqueles que viram fazer no recinto escolar, no passado dia 18 de maio, data em que se assinalou o Dia Internacional dos Museus.

Foi com um misto de curiosidade e espanto que muitos alunos viram abrir um buraco no chão, retirar terra que depois foi misturada com palha e amassada (pisoteada) de modo a fazer uma pasta homogénea que, de seguida, foi colocada em moldes, com as dimensões e formas pretendidas, ficando com o aspeto de blocos, que foram desenformadas para secarem ao sol, durante um a dois meses, de modo a ganharem dureza. No final, esses adobes de terra negra e palha ficam com uma tonalidade acinzentada escura.

Num outro espaço do recinto, sob a sombra das árvores, foram confecionados outros blocos, também eles à base de terra (saibro amarelo) misturada com pó de cal branca (idêntica à que se usa para caiar paredes), cal que também pode ser de pó de pedra calcária, designada por “cal churra”, pelo que os primeiros têm uma cor mais amarelo claro do que estes, que ficam mais escuros e acastanhados. Os método de moldagem e de secagem desses blocos é igual à dos adobes de terra escura.

Ao lado, alguns pedreiros mostravam aos jovens estudantes como se usavam adobes na construção de paredes de uma habitação.

Tradicionalmente, na produção de adobes colaborava toda a família, incluindo os mais novos que davam de beber aos adultos, já que os adobes eram produzidos para serem usados na construção das respetivas habitações.

Região sem pedra

Mesmo na cidade de Aveiro ainda há casas seculares totalmente construídas em adobe, que permanecem de pé, uma vez que na região não havia pedra e a pouca disponível (como a pedra vermelha de Eirol) era usada nas obras públicas e nos edifícios de maior envergadura (igrejas, palácios e outros). Dos imóveis construídos em adobe, o destaque vai para a antiga Casa de Major Pessoa (atual Casa Museu Arte Nova), imóvel que foi totalmente restaurado, mantendo-se a construção em adobe.

O adobe é também um produto ecológico porque é totalmente reciclável e reutilizável. Além disso é produzido sem recurso a meios mecânicos poluentes.

Evento com o apoio

de diversas instituições

Carlos Magalhães, diretor da Escola João Afonso de Aveiro, sublinhou que este evento, realizado no âmbito do programa de Ciências e enquadrado no Prémio Fundação Ilídio Pinho – Prémio Eficiência na Escola, pretendeu mostrar aos alunos “como se construía no século XIX e princípios do século XX”.

A parceria da escola com “grupos etnográficos e cénicos permitiu transportar a história para os dias de hoje”, referiu Carlos Magalhães, que enalteceu também a colaboração de outras entidades na concretização deste evento.

Na realização desta recriação da produção de adobe, ocorrida no Dia Internacional dos Museus, a Escola João Afonso de Aveiro contou com a colaboração de diversas entidades, nomeadamente Câmara Municipal de Aveiro (através do pelouro de Cultura e da Divisão de Museus e Património Histórico), Juntas de Freguesia (com destaque para a da Glória), Grupo Etnográfico de Oliveirinha, Grupo Cénico das Barrocas, Universidade de Aveiro, ADERAV, entre outras.

Cardoso Ferreira